Projeto de Paes que aumenta a taxa de luz no Rio causa racha na base da Câmara

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A proposta enviada por Eduardo Paes (PSD) à Câmara do Rio nesta quinta-feira (28), que muda a forma de cobrança da taxa de iluminação pública (Cosip), acendeu o alerta na base governista — e não foi só pelo impacto na conta de luz. Com aumento estimado de até 1.270% para alguns perfis de consumidores, o projeto está longe de ser consenso, mesmo entre os aliados mais fiéis.

De R$ 13,86 para R$ 24,15Câmara sob pressão e emendas a caminho

Nos bastidores, vereadores com bases em bairros populares já dizem que “não tem condição de votar isso agora”. Um parlamentar da base foi direto: “Se aumentar R$10 já é muito. Para quem ganha pouco, cada real faz diferença. Eu não voto a favor disso, não”. A frase não saiu no microfone, mas ecoou pelos bastidores, principalmente entre quem vai disputar alguma cadeira em 2026.

A lógica é simples: num cenário de inflação ainda pressionada, qualquer reajuste na conta de luz vira um risco eleitoral, e ninguém quer dar esse presente para a oposição em ano de campanha.

De acordo com estudo feito pelo gabinete do vereador Pedro Duarte (Novo), a nova fórmula proposta pela Prefeitura pode elevar o valor da Cosip em até 1.270%, no caso de grandes consumidores. Para residências de classe média, o aumento seria de 74%, com a taxa passando dos atuais R$ 13,86 para até R$ 24,15.

Mesmo com a justificativa de que os recursos irão financiar ações de segurança pública — incluindo videomonitoramento e a futura Força Municipal Armada —, o pacote pegou mal entre entidades do setor produtivo. A Firjan, o HotéisRio, o Sindlojas e o CDL-RJ foram unânimes: o impacto é desproporcional e pouco transparente.

Paulo Messina (PL), matemático e vereador, foi direto: “É intelectualmente desonesto defender o projeto dizendo que o total da conta só vai subir um pouco. A Cosip vai subir mais de 50%, isso é um aumento pesado”.

Câmara sob pressão e emendas a caminho

A reunião técnica realizada nesta quinta, com mais de 20 vereadores presentes, mostrou que a resistência é real — e crescente. O presidente da Casa, Carlo Caiado (PSD), tentou apaziguar: “Vamos aprimorar o texto, propor emendas e ouvir os setores produtivos. Ninguém quer penalizar o consumidor”.

Entre as emendas ventiladas, estão a ampliação da faixa de isenção (de 100 kWh para 150 kWh mensais) e a criação de um teto para evitar o repasse excessivo a pequenos comerciantes. A base, no entanto, segue dividida: parte quer derrubar o projeto, outra tenta ajustar para minimizar o desgaste.

O que é certo: Paes jogou na Câmara um abacaxi de R$ 443 milhões — valor arrecadado com a Cosip em 2024, segundo o TCM. Agora, a batata quente está com os vereadores, que precisam escolher entre a fidelidade ao prefeito e o temor da fatura nas urnas.



Conteúdo Original

2025-08-28 19:43:00

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