A defesa do vereador Salvino Oliveira (PSD), preso no último dia 11 na Operação Contenção Red Legacy, deflagrada pela Polícia Civil do Rio para investigar a estrutura nacional do Comando Vermelho (CV), entrou com pedido de habeas corpus no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ). A solicitação de liberdade do parlamentar tramita, em segunda instância, na 7ª Câmara Criminal. A polícia fluminense, por sua vez, apresentou nesta sexta-feira novas suspeitas sobre o parlamentar. Segundo as investigações, num período de quatro meses, Salvino recebeu “créditos suspeitos e/ou atípicos” que ultrapassam R$ 100 mil, incluindo onze depósitos em dinheiro vivo.
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Salvino está no presídio José Frederico Marques, em Benfica, considerado a porta de entrada do sistema penitenciário fluminense. De acordo com a Polícia Civil, o ex-secretário do município do Rio é suspeito de pedir autorização à facção para fazer campanha eleitoral na Gardênia Azul, favela na Zona Sudoeste sob o domínio do CV. Nesta quinta-feira, em audiência de custódia, a Justiça o manteve preso.
A prisão vem provocando críticas do prefeito do Rio, Eduardo Paes, pré-candidato a governador do estado. Segundo ele, houve “uso político” da Polícia Civil. Em resposta, a corporação divulgou nesta sexta uma nota informando que a investigação foi baseada, entre outras coisas, na análise de movmentações financeiras feitas pelo vereador.
Segundo o documento, foram identificadas transações atípicas ou suspeitas no segundo semestre de 2024, onde Salvino é beneficiário de valores provenientes de uma empresa de informática sediada no Complexo da Maré, região controlada pelo Comando Vermelho, conforme ressalta a nota. Segundo a polícia, em apenas quatro meses, o parlamentar recebeu créditos e 11 depósitos em dinheiro vivo que ultrapassam R$ 100 mil. A nota, no entanto, não informa o nome da empresa de informática. Além disso, a polícia menciona movimentações financeiras suspeitas ligadas a um assessor do parlamentar.
As informações sobre a movimentação financeira do parlamentar ainda não haviam sido divulgadas e só vieram à tona, nesta sexta-feira.
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O GLOBO tenta contato com a defesa de Salvino Oliveira por telefone, mas ainda não foi atendido e nem teve as mensagens respondidas.
Nesta quinta-feira, o diretório do PSD decidiu representar no STJ, junto à PGR, o suposto uso do aparato policial do estado para perseguir adversários políticos. No pedido, eles também pedem o afastamento do secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, e do governador Cláudio Castro (PL). A informação foi antecipada na colna de Lauro Jardim.
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A judicialização representa mais uma escalada na disputa política entre o prefeito Eduardo Paes (PSD) e o governador, em um momento em que ambos articulam candidaturas para as eleições deste ano.
O partido também confirmou, para a coluna do Lauro Jardim, que vai acionar o Ministério Público do Rio para que averigue se houve ato de improbidade administrativa. De acordo com a coluna, o PSD está acusando a decisão da prisão de ter sido movida por indícios de abuso de poder, prevaricação e crimes eleitorais. Além disso, a legenda também pediu o afastamento cautelar do governador e do secretário, se necessário, para evitar interferência indevida no processo eleitoral.

