A Polícia Civil do Paraná concluiu nesta sexta-feira (27) o inquérito que investigou a morte da freira Irmã Nadia Gavanski, de 82 anos, assassinada dentro do convento onde vivia, em Ivaí, na região dos Campos Gerais. O homem de 33 anos preso pelo crime foi indiciado por homicídio qualificado, estupro qualificado, resistência e violação de domicílio qualificada. Segundo a corporação, os laudos periciais confirmaram a ocorrência de violência física e sexual contra a vítima.
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De acordo com o delegado Hugo Santos Fonseca, responsável pelo caso, o indiciamento por homicídio qualificado considerou o emprego de meio que dificultou a defesa da vítima, além do fato de ela ser maior de 60 anos e possuir deficiência. Irmã Nadia tinha limitações motoras e de fala em decorrência de um AVC anterior. Já o indiciamento por estupro qualificado foi fundamentado nas lesões constatadas no exame pericial.
O crime ocorreu no sábado (21), por volta das 13h30. Conforme as investigações, o suspeito pulou o muro do convento mediante escalada e invadiu o local. Irmã Nadia, que integrava a Congregação das Irmãs Servas de Maria Imaculada há 55 anos, teria questionado a presença do homem. Ele alegou que estava ali para trabalhar, mas, diante da desconfiança, a empurrou. Quando a religiosa começou a gritar por socorro, foi asfixiada. O corpo foi encontrado no pátio da instituição com sinais de agressão e roupas parcialmente retiradas.
As provas reunidas incluem imagens de câmeras de segurança e vestígios de sangue nas roupas do investigado. Logo após o crime, ele abordou uma fotógrafa que registrava um evento no convento, apresentando nervosismo, roupas sujas e arranhões no pescoço. A testemunha registrou imagens que ajudaram a polícia a identificá-lo e localizá-lo horas depois do crime em sua residência. No momento da prisão, ele atacou os policiais, o que motivou também indiciamento por resistência.
“Durante o interrogatório, o investigado admitiu parte das agressões e afirmou ter agido sob influência de “vozes”. O investigado está preso preventivamente e permanece à disposição do Poder Judiciário”, explica o delegado da PCPR Hugo Santos Fonseca.
Durante o interrogatório, o suspeito declarou ainda que havia consumido álcool e crack antes de invadir o convento, mas negou intenção de furtar objetos ou praticar violência sexual, hipótese que, segundo a polícia, foi descartada diante das conclusões do laudo pericial.
A congregação divulgou nota classificando o ocorrido como “ato de violência injustificável” e informou que colabora com as investigações. Irmã Nadia, natural de Prudentópolis (PR), dedicou 55 anos à vida consagrada, incluindo trabalhos em diversas comunidades religiosas da região. O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público, que analisará as medidas judiciais cabíveis.
