Polícia britânica realiza buscas em propriedade ligada a ex-príncipe Andrew em Windsor pelo segundo dia consecutivo

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Carros sem identificação na entrada do Royal Lodge, propriedade de 30 quartos e antiga residência do ex-príncipe Andrew — Foto: Ben Stansall/AFP


A polícia do Reino Unido voltou a realizar buscas nesta sexta-feira no Royal Lodge — propriedade que serviu de moradia oficial para Andrew Mountbatten-Windsor, o ex-príncipe Andrew —, no segundo dia consecutivo de operações envolvendo a investigação que apura as relações do ex-sucessor do trono britânico e o criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein. Andrew ficou detido por cerca de 12 horas na quinta-feira, dia em que completou 66 anos, para prestar depoimento sobre o caso que investiga suspeita de má conduta no exercício de um cargo público.

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A imprensa inglesa descreveu uma movimentação de viaturas policiais sem identificação na residência real. A rede britânica BBC noticiou ter confirmado com fontes ligadas à polícia que um trabalho de coleta e identificação de evidências está sendo realizado no interior da propriedade, sugerindo que o inventário pode levar dias.

Andrew ficou detido na delegacia de polícia de Aylsham na quinta-feira, onde foi interrogado sobre um suposto compartilhamento de informações confidenciais com Epstein, enquanto atuou como enviado comercial britânico entre 2001 e 2011. O caso é investigado pela polícia britânica como “suspeita de má conduta no exercício de função pública”.

Segundo um e-mail enviado ao financista e agressor sexual americano, com data de 24 de dezembro de 2010, Andrew teria encaminhado “um relatório confidencial” sobre oportunidades de investimento no Afeganistão. Também há correspondências sugerindo que, no mesmo ano, enviou ao financista relatórios sobre viagens de trabalho à China, Cingapura e Vietnã.

O ex-príncipe, que perdeu o título real após uma série de documentos revelados nos EUA mostrarem as relações próximas que manteve com o criminoso sexual — incluindo evidências de sua participação na exploração sexual de menores de idade. Se Andrew for acusado formalmente e condenado, o crime de má conduta pode resultar em prisão perpétua.

A detenção do irmão de um monarca é sem precedente no Reino Unido moderno: o último membro da realeza a ser preso foi o rei Carlos I, que foi julgado e executado por traição durante a Guerra Civil Inglesa em 1649. Independentemente de Andrew ser acusado formalmente de um crime, o escrutínio público mais uma vez vai se voltar para a família real britânica. Para especialistas em realeza e historiadores britânicos, a crise recente representa uma séria ameaça à estabilidade da monarquia em um momento de grande incerteza.

Oficialmente, a família real tenta se distanciar do caso e se posiciona criticamente contra Andrew. Em uma declaração na quinta-feira, o rei Charles III confirmou a prisão do irmão e afirmou que apoiava um “processo completo, justo e adequado” na investigação, acrescentando que apoiava as autoridades envolvidas.

“Nisso, como já disse antes, elas têm nosso total e irrestrito apoio e cooperação”, declarou. “Deixe-me afirmar claramente: a lei deve seguir seu curso”.

Declarações pessoais do rei como essa são raras. Em ocasiões anteriores, as manifestações sobre Mountbatten-Windsor partiram de forma mais ampla do Palácio de Buckingham. O palácio já havia informado que, caso o rei ou a instituição fossem procurados pela polícia para prestar assistência, estariam prontos para colaborar. (Com AFP)



Com informações da fonte
https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2026/02/20/policia-britanica-realiza-buscas-em-propriedade-ligada-a-ex-principe-andrew-em-windsor-pelo-segundo-dia-consecutivo.ghtml

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