O piloto preso sob suspeita de manter uma rede de abuso sexual de menores de idade cometeu os crimes em motéis e manteve uma rede pelo WhatsApp em que recebia imagens e vídeos das crianças. Segundo a polícia, Sérgio Antônio Lopes, de 60 anos, realizava pagamentos pelos conteúdos das crianças que variavam de R$ 50 a R$ 100 para os responsáveis dos menores. O homem também teria quitado aluguéis, comprado remédios e até um televisor em troca dos abusos.
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A Luciana Peixoto, responsável pelo caso na Delegacia de Repressão à Pedofilia, disse que o piloto confessou os crimes “com naturalidade”.
— Como ele comete os fatos há muitos anos, ele normalizou os crimes que cometia. Ele conta com uma certa naturalidade o que acontecia, e ele não vê a gravidade dos crimes — disse ela ao SBT.
Um interrogatório formal, porém, será realizado após a análise do material apreendido. Celulares foram enviados para a perícia. Funcionário da companhia aérea Latam, Lopes foi detido dentro de uma aeronave no Aeroporto de Congonhas, na Zona Sul de São Paulo, na manhã de segunda-feira.
Segundo o Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), o piloto é investigado por suspeita de abuso sexual contra crianças e adolescentes de 11, 12 e 15 anos. Os crimes aconteciam há ao menos oito anos. Ao menos dez vítimas foram identificadas até o momento. Todas elas são do estado de São Paulo, mas a polícia afirma que há também menores de outros estados envolvidos.
De acordo com as investigações, o piloto levava os menores a motéis utilizando documentos falsos. Uma mulher de 55 anos é suspeita de envolvimento no esquema, acusada de aliciar as próprias netas, e foi detida.
Além da prisão do piloto, a operação cumpre outro mandado de prisão temporária e oito mandados de busca e apreensão contra quatro investigados em São Paulo e em Guararema, na Grande São Paulo.
Em nota, a Latam disse estar ciente do ocorrido. De acordo com a companhia, o piloto foi detido durante os procedimentos de embarque do voo LA3900 (São Paulo/Congonhas–Rio de Janeiro/Santos Dumont). O voo operou normalmente, segundo a empresa aérea.
A companhia também pontuou que está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações e que repudia veementemente qualquer ação criminosa.

