A cirurgiã vascular Dra. Andréa Klepacz orienta sobre os sinais de risco nos pés de pessoas com diabetes
O pé diabético é uma das complicações mais temidas do diabetes e, ao mesmo tempo, uma das mais preveníveis. Ele surge da combinação de dois fatores comuns em quem convive com a doença há anos – a neuropatia, que reduz a sensibilidade dos pés, e a doença vascular, que compromete a circulação. Essa associação faz com que pequenos machucados passem despercebidos e tenham dificuldade de cicatrização, abrindo caminho para infecções graves e, em casos extremos, amputações.
Por que o pé diabético se desenvolve
O excesso de glicose no sangue, ao longo do tempo, danifica os nervos periféricos, especialmente dos pés. Com isso, o paciente pode não sentir dor ou calor, nem perceber pequenos traumas. Um sapato apertado, uma bolha, um corte ao aparar as unhas ou até uma rachadura no calcanhar podem evoluir sem chamar atenção.
Ao mesmo tempo, o diabetes favorece tanto o estreitamento das artérias quanto a piora da microcirculação, reduzindo o fluxo de sangue para os membros inferiores. Sem circulação adequada, o organismo tem dificuldade de combater infecções e de cicatrizar feridas. Essa combinação cria um cenário perigoso: a lesão não dói, não cicatriza e pode se agravar rapidamente.
Sinais de alerta que não devem ser ignorados
Feridas nos pés que demoram a cicatrizar são o principal sinal de alerta, mas não o único. Alterações na cor da pele, áreas mais frias, inchaço, vermelhidão localizada, secreção, mau cheiro ou escurecimento dos dedos indicam comprometimento importante. Em muitos casos, a infecção já está instalada quando o paciente percebe o problema.
Outro ponto crítico é a perda de sensibilidade. Formigamento, dormência ou sensação de “pé anestesiado” devem ser relatados ao médico, mesmo sem feridas aparentes. Esses sintomas indicam neuropatia ativa e aumentam significativamente o risco de lesões silenciosas. Quanto mais cedo o problema é identificado, maiores são as chances de evitar complicações graves.
Prevenção e acompanhamento salvam membros e vidas
A boa notícia é que a maioria dos casos de pé diabético pode ser evitada com cuidados simples e acompanhamento regular. Examinar os pés diariamente, manter a pele hidratada, cortar as unhas corretamente e usar calçados confortáveis são medidas essenciais. Andar descalço deve ser evitado, mesmo dentro de casa.
O controle rigoroso da glicemia é o principal fator de proteção, mas não o único. Avaliações periódicas
com profissionais de saúde permitem identificar precocemente alterações neurológicas e vasculares. Em pacientes de maior risco, exames como o Doppler ajudam a avaliar a circulação e orientar intervenções antes que surjam feridas.
Quando lesões aparecem, o tratamento precoce faz toda a diferença. Cuidados locais, antibióticos, controle metabólico e, em alguns casos, procedimentos vasculares podem evitar a progressão da infecção. O pé diabético não é apenas um problema local – ele reflete o impacto do diabetes em todo o organismo e exige abordagem multidisciplinar.
Ignorar pequenos ferimentos nos pés pode custar caro para quem tem diabetes. Atenção diária, orientação médica e prevenção contínua são as principais ferramentas para preservar a mobilidade, evitar amputações e garantir qualidade de vida a longo prazo.
Dra. Andréa Klepacz – CRM/SP 128.575 | RQE 51419
Cirurgiã vascular
Membro da Brazil Health

