Fenômeno em São Paulo, onde atraiu mais de 1 milhão de espectadores ao longo de nove anos, o musical Wicked finalmente vai aterrissar no Rio – mais especificamente na Cidade das Artes – em julho, aplacando a ansiedade dos fãs Arrasa-quarteirão: Wicked finalmente ganhará os palcos cariocas em julho e os fãs cariocas estão ansiosos cariocas. A superprodução que se debruça sobre a história não contada das bruxas de Oz viria, inicialmente, em 2024, mas a conta não fechou. As cifras são o principal desafio quando se trata de pôr de pé um espetáculo com a grife e a magnitude da Broadway.
“Com o sucesso da última temporada paulistana, as empresas começaram a nos procurar querendo associar suas marcas ao espetáculo”, explica Carlos Cavalcanti, presidente do Instituto de Cultura Artium, produtor de Wicked, que já conta com seis patrocinadores. Os ingressos para o primeiro mês se esgotaram rapidamente, o que motivou a abertura de mais sessões. “Esses bilhetes também serão vendidos logo, logo”, anima-se Cavalcanti. “A peça fala sobre pertencimento e convida o espectador a participar da obra. Vi duas vezes em São Paulo, mas aqui vai ser mais especial”, derrete-se a analista de marketing Mari Oliveira, 26 anos, que já garantiu as entradas para julho.
+ Para receber VEJA RIO em casa, clique aqui
Antes de Wicked entrar em cartaz, outros quatro grandes projetos estreiam na cidade, a começar por Diana – A Princesa do Povo, a partir de sexta (27), no Teatro Multiplan. Por trás deles, há um salto visível no investimento através das leis de incentivo. Dados do Sistema de Apoio às Leis de Incentivo à Cultura (Salic) mostram que 495 projetos de teatro musical foram aprovados em 2025 pela Lei Rouanet, com um total de 111,2 milhões de reais em captação. Em 2019, foram 75 projetos e 18,4 milhões de reais captados, representando um vigoroso aumento de 504% do investimento. “Esse crescimento promove a formação de talentos, entre atores, músicos e técnicos, e cria um mercado genuinamente brasileiro”, afirma o secretário de fomento e incentivo à cultura do Ministério da Cultura, Henilton Menezes.
E o público local realmente aderiu: estrelado por Eduardo Sterblitch, Beetlejuice, o Musical estreou por aqui em 2023 e retornou no ano passado. Cada temporada empregou cerca de cem pessoas diretamente e mais de quinhentas indiretamente, fazendo girar a economia criativa.
Teatro musical não é apenas importação de sucessos da Broadway. Existe uma tradição nacional quando se trata de unir dramaturgia e melodia. Em 1965, Chico Buarque musicou o poema Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto (1920- 1999) e, dois anos depois escreveu Roda Viva, que estreou em 1968, no Rio, sob direção de José Celso Martinez Corrêa (1937-2023), com Marieta Severo num dos papéis principais. “Por mais que haja forte influência dos americanos, nunca se deixou de fazer teatro musical brasileiro. Esse gênero vive no nosso emocional e estamos habituados a prestigiá-lo”, observa Rubens Lima Jr., professor de artes cênicas da UniRio.
No início dos anos 2010, Tim Maia – Vale Tudo, baseado no livro de Nelson Motta, deu início à onda de musicais biográficos. Nomes como Elis Regina (1945-1982), Tom Jobim (1927-1994) e, mais recentemente, Djavan, foram homenageados na ribalta. “O musical brasileiro é muito específico. As canções impulsionam a narrativa e nunca tem uma música sobrando”, reflete Gustavo Nunes, produtor de Djavan – O Musical: Vidas Pra Contar e de espetáculos que celebraram Cássia Eller (1962- 2001) e Os Paralamas do Sucesso. Contar e cantar boas histórias é mesmo um talento nacional.

Vêm aí
Espetáculos para conferir em breve
Diana – A Princesa do Povo: Estreia em 27 de fevereiro, no Teatro Multiplan, com direção de Tadeu Aguiar, que também assinou Beetlejuice e Mudança de Hábito.
Tim Maia Vale Tudo – O Musical: A partir de 6 de março, no Teatro Casa Grande, no Leblon, com Thor Junior no papel que consagrou Tiago Abravanel em 2011.
Os Olhos de Nara Leão: A atriz Zezé Polessa volta a encarnar a pioneira da bossa nova. O espetáculo dirigido por Miguel Falabella chega aoTeatro Clara Nunes, na Gávea, em 6 de março.
Meu Filho É Um Musical: Déa Lucia, mãe de Paulo Gustavo (1978-2021) rende homenagens ao inesquecível comediante. A temporada começa em 28 de maio, no Teatro Multiplan, na Barra.

Com informações da fonte
https://vejario.abril.com.br/programe-se/para-todo-mundo-cantar-junto/

