Na cidade do Rio de Janeiro, nem reduzir o consumo de luz garante alívio no bolso. A nova tabela da Cosip (Contribuição para o Custeio do Serviço de Iluminação Pública), sancionada por Eduardo Paes (PSD) e aprovada pela Câmara, entra em vigor em fevereiro e já mostra a que veio: aumentar a arrecadação às custas da população.
Vereadores da oposição tentaram impedir o reajuste, mas foram atropelados pela base do governo, acusada de submissão ao prefeito ao aprovar um projeto que mira diretamente o bolso do cidadão. O resultado é um aumento que atinge residências, comércio e indústria, com impacto em cadeia nos preços de produtos e até risco de desemprego.
Na votação, realizada em sessão extraordinária, a base governista garantiu a aprovação por 36 votos a 11. Vereadores da oposição acusaram o governo de pressionar parlamentares e de aprovar uma medida que penaliza diretamente a população.
Veja a seguir a lista completa dos vereadores que votaram contra o aumento na conta de luz:
– Carlos Bolsonaro (PL)
– Diego Faro (PL)
– Dr. Rogério Amorim (PL)
– Fernando Armelau (PL)
– Monica Benício (PSOL)
– Paulo Messina (PL)
– Pedro Duarte (Novo/hoje no PSD)
– Poubel (PL)
– Rick Azevedo (PSOL)
– Thais Ferreira (PSOL)
– Willian Siri (PSOL)
‘Confisco disfarçado’
Durante a votação, vereadores da direita e até alguns de esquerda se juntaram para tentar barrar o projeto. Dr. Rogério Amorim (PL) afirmou: “Esse aumento é um confisco disfarçado. O cidadão já paga impostos altíssimos e agora vai bancar mais uma conta criada pelo prefeito. Isso é injusto e desproporcional.”
‘Submissão ao prefeito’
Paulo Messina (PL), acusou a base governista de submissão: “A Câmara deveria defender o povo, mas preferiu se ajoelhar diante do prefeito. O resultado é um aumento que vai direto no bolso da população.”
Classe média na mira
Quem consome acima de 300 kWh por mês — perfil típico da classe média — verá saltos de até 132,7% na taxa. Uma conta de R$ 370, que tinha Cosip de R$ 19,38, passa para R$ 45,09. E o detalhe mais irritante: mesmo que o morador reduza o consumo, a cobrança não cai de imediato. Até novo reajuste da Aneel, vale uma regra de transição que mantém o valor elevado.
Indústria e comércio em alerta
A Firjan criticou duramente o projeto, lembrando que energia já representa cerca de 30% dos custos industriais e que o aumento compromete a competitividade e a retomada econômica. O SindilojasRio e o CDLRio também se manifestaram contra, chamando a medida de “injusta, desproporcional e pouco transparente”, destacando que o comércio, um dos principais geradores de emprego, será ainda mais sufocado.
Dinheiro para além da iluminação
A arrecadação não se limita a postes acesos. Parte da verba pode financiar outros projetos da prefeitura, como a futura Força Municipal armada, anunciada por Paes. Ou seja, o carioca paga a conta de luz e banca até segurança pública.
O prefeito já de saída
Eduardo Paes sancionou o aumento em setembro de 2025 e agora, em fevereiro de 2026, a bomba estoura no bolso da população. Mas o prefeito já anunciou que deixará o cargo em março para disputar o governo estadual. O carioca paga a conta, enquanto quem assinou a fatura prepara a campanha.
Economizar energia não adianta, a oposição foi calada pela base governista e o bolso do carioca virou alvo oficial. A conta de luz sobe, os preços podem disparar e o prefeito já está de malas prontas.

