Os bastidores da política fluminense ganharam novos contornos com a movimentação do prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), em direção a uma aliança com o Republicanos. A costura pode comprometer diretamente os planos do deputado Pedro Paulo (PSD), considerado seu aliado mais próximo, que vinha se preparando para disputar uma vaga no Senado.
A vaga do Senado como moeda de troca
Segundo aliados de Paes, a entrada do Republicanos na coligação estaria condicionada justamente à indicação de um nome para o Senado. Isso abriria espaço para negociações que poderiam deixar Pedro Paulo de fora. A outra vaga da aliança de centro-esquerda já estaria reservada para Benedita da Silva (PT), reforçando o dilema do deputado.
Crivella e o paradoxo Republicanos
O ex-prefeito Marcelo Crivella, ligado ao Republicanos, tenta se viabilizar como candidato ao Senado. A hipótese, ainda que remota, de dividir palanque com Paes seria inusitada, já que ambos se enfrentaram em disputas anteriores.
O peso nacional da aliança
A presença do Republicanos no palanque de Paes também traz um paradoxo. Nacionalmente, o partido deve caminhar com a direita, sob a liderança de Tarcísio de Freitas em São Paulo e com proximidade da família Bolsonaro. No Rio, porém, estaria ao lado de Paes, que deve se alinhar a Lula. Essa contradição pode gerar tensões internas e dificultar a consolidação da aliança.
Cenário eleitoral em disputa
Pesquisas recentes mostram Cláudio Castro (PL) bem posicionado na disputa pelo Senado. O cenário ganhou ainda mais força com a entrada de Márcio Canella (União Brasil), prefeito de Belford Roxo, que desponta como outro nome competitivo.
A dupla Castro–Canella foi oficializada como parte da chapa majoritária apoiada pelo senador Flávio Bolsonaro, consolidando o espaço da direita fluminense na disputa. Além disso, levantamentos recentes mostraram índices positivos de aprovação da administração de Canella em Belford Roxo, o que fortaleceu sua imagem e ampliou sua viabilidade eleitoral.
Nesse contexto, a vaga que Pedro Paulo almeja se torna ainda mais disputada, e a estratégia de Paes pode deixá-lo sem espaço.
Paes, Lula e o dilema da aliança com o Republicanos
A movimentação de Eduardo Paes para atrair o Republicanos à sua coligação não afeta apenas Pedro Paulo. Ela também pode gerar ruídos na relação do prefeito com o PT e, por consequência, com o presidente Lula.
O paradoxo político
Paes deve caminhar ao lado de Lula em âmbito nacional, reforçando o palanque da esquerda no Rio. No entanto, o Republicanos é um partido identificado com a direita, próximo da família Bolsonaro e comandado em São Paulo por Tarcísio de Freitas. Essa contradição cria um paradoxo: no Rio, o Republicanos dividiria palanque com Lula, enquanto no restante do país pediria votos para a oposição.
O impacto para o PT
Para o PT, a presença do Republicanos na mesma coligação pode ser vista como um risco de diluição da narrativa política. Benedita da Silva já está cotada para ocupar uma das vagas ao Senado, e a entrada de um nome do Republicanos poderia gerar desconforto entre militantes e lideranças petistas. A dúvida é se Lula aceitará esse arranjo em nome da força eleitoral de Paes ou se pressionará por uma configuração mais alinhada ideologicamente.
