A recente Operação Dark Trader, deflagrada pela Polícia Civil de São Paulo em parceria com o Ministério Público e a Secretaria da Fazenda, revelou uma aliança inédita e alarmante: o Primeiro Comando da Capital (PCC), maior facção criminosa do Brasil, atuava lado a lado com um grupo empresarial chinês em um esquema de lavagem de dinheiro bilionário.
Essa cooperação criminosa não apenas expõe a sofisticação das organizações envolvidas, mas também evidencia uma grave falha no controle das fronteiras brasileiras, permitindo a entrada e circulação de mercadorias e capitais ilícitos em larga escala.
O esquema bilionário
Segundo as investigações, o grupo movimentou R$ 1,1 bilhão em apenas sete meses por meio da venda de eletrônicos. As transações eram mascaradas por empresas de fachada que funcionavam como “contas de passagem”, desviando pagamentos e emitindo notas fiscais fraudulentas. Integrantes do PCC eram usados como “laranjas”, figurando como sócios de fachada e beneficiários de imóveis e veículos de luxo, blindando o patrimônio da máfia chinesa.
Operação e apreensões
A ofensiva policial mobilizou 100 agentes do Deic para cumprir 20 mandados de busca e apreensão e três de prisão em São Paulo e Santa Catarina. Até o momento, um homem foi preso e veículos foram apreendidos. O GAEPP (Grupo de Atuação Especial de Persecução Patrimonial) sequestrou até R$ 1,1 bilhão em bens, incluindo R$ 25 milhões em imóveis e automóveis de luxo, além de contas bancárias e aplicações financeiras em nome de laranjas.
O alerta das autoridades
As autoridades classificam o esquema como sofisticado e transnacional, destacando que a distribuição dos eletrônicos partia de São Paulo para todo o Brasil. A operação reforça o alerta sobre a crescente associação entre facções brasileiras e máfias estrangeiras, ampliando o alcance e a complexidade das atividades criminosas.
Mais do que um caso isolado, o episódio escancara a fragilidade do país no controle de fronteiras e na fiscalização de importações, abrindo espaço para que organizações criminosas internacionais se associem a facções locais e transformem o Brasil em um polo estratégico para lavagem de dinheiro e comércio ilícito.

