o que se sabe sobre a investigação do assassinato do cachorro que vivia na Praia Brava, em Santa Catarina

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Cãozinho Orelha foi morto por quatro adolescentes em praia catarinense — Foto: Arquivo pessoal


A morte do cão Orelha, espancado na Praia Brava, em Florianópolis, provocou comoção e abriu uma investigação que ganhou novos desdobramentos nos últimos dias. A Polícia Civil de Santa Catarina apura não apenas os atos infracionais cometidos por adolescentes, mas também a participação de adultos em suposta coação de testemunhas e uma tentativa de homicídio contra outro cachorro da região.

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Orelha era um cachorro comunitário que vivia havia cerca de dez anos na Praia Brava, uma das áreas mais nobres de Florianópolis. Considerado um mascote do bairro, era alimentado diariamente por moradores e comerciantes e circulava livremente pela região. Ele dividia o espaço com outros cães comunitários, que contavam com casinhas e cuidados espontâneos da população local.

O caso veio à tona no dia 16 de janeiro, quando moradores relataram o desaparecimento do cachorro. Dias depois, uma das pessoas que cuidavam de Orelha o encontrou caído em uma área de mata, gravemente ferido e agonizando. O animal foi levado a uma clínica veterinária, mas, devido à gravidade das lesões, os profissionais optaram pela eutanásia. A suspeita é de que Orelha tenha sido espancado a pauladas.

A Polícia Civil identificou quatro adolescentes como suspeitos de praticar os maus-tratos que levaram à morte do cão. Dois deles estão em Florianópolis e foram alvos de mandados de busca e apreensão nesta segunda-feira (26). Os outros dois estão nos Estados Unidos, em viagem previamente programada, segundo a corporação.

Celulares e outros dispositivos eletrônicos foram apreendidos e passarão por perícia. O inquérito tramita sob sigilo por envolver menores de idade.

A investigação avançou e passou a apurar se o mesmo grupo tentou matar outro cão da região no mesmo dia. De acordo com a Polícia Civil, um vira-lata caramelo teria sido levado ao mar em uma tentativa de afogamento, mas conseguiu escapar. O animal sobreviveu e foi posteriormente adotado pelo delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, que afirmou acompanhará pessoalmente o andamento do caso.

Segundo o delegado, há indícios de que os quatro adolescentes tenham praticado as agressões contra Orelha e de que três adultos tenham atuado para interferir na investigação. Ele afirmou que, caso seja comprovada a participação de adultos na coação de testemunhas, a Polícia Civil pedirá a prisão preventiva dos envolvidos.

“A Justiça será feita independentemente de quem sejam os autores dessa ação criminosa. Se houver prova de participação de um adulto na coação, a prisão preventiva será solicitada imediatamente”, disse o delegado.

O governador Jorginho Mello (PL) determinou prioridade para o caso. A apuração é conduzida pela Delegacia de Proteção Animal, com apoio do Departamento de Investigação Criminal (DIC). O Ministério Público de Santa Catarina acompanha o inquérito. A magistrada inicialmente responsável pelo caso se declarou impedida, e um novo juiz passou a analisar os pedidos judiciais relacionados à investigação.

A morte de Orelha gerou protestos de moradores e ativistas na Praia Brava, que pedem punição aos responsáveis. Manifestações foram realizadas no local onde o cão vivia. O caso também chegou à Assembleia Legislativa de Santa Catarina. O deputado estadual Mário Motta (PSD) defendeu a criação de uma estátua em homenagem ao animal e lançou um abaixo-assinado para viabilizar o projeto, como forma de preservar a memória de Orelha e reforçar o combate à violência contra animais.

A Polícia Civil segue colhendo depoimentos, analisando imagens de câmeras de segurança e aguardando o resultado das perícias nos dispositivos apreendidos. A corporação pede que testemunhas procurem a delegacia para colaborar com a investigação.



Com informações da fonte
https://oglobo.globo.com/brasil/noticia/2026/01/27/cao-orelha-o-que-se-sabe-sobre-a-investigacao-do-assassinato-do-cachorro-que-vivia-na-praia-brava-em-santa-catarina.ghtml

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