













Pela primeira vez, os cariocas (os interessados, claro) podem conhecer o guarda-roupa de Eva Klabin (1903–1991) na mostra “Beleza Habitada: Eva Klabin, Moda e Memórias”, inaugurada neste fim de semana na Casa Museu Eva Klabin, na Lagoa, com curadoria de Helena Severo e Brunno Almeida Maia e expografia de Leandro Leão.
São mais de 130 itens entre roupas, acessórios, documentos e obras de arte da colecionadora. O passeio vai de Pierre Cardin e Christian Dior até Zulnie David, modista carioca que vestiu Eva por décadas e virou sua cúmplice estética.
“Eva habitou a beleza como quem constrói um mundo. Entre coleções de arte, vestidos e objetos, sua casa tornou-se cenário de encontros, onde o cotidiano virou experiência estética”, diz Severo. “A singularidade do acervo está na maneira como Eva misturava criações de Zulnie David com nomes da alta-costura parisiense, construindo uma individualidade em diálogo direto com a história da moda do seu tempo”, completa Brunno Almeida.
Ou seja, do “curatorês” para o português: Eva escolheu sua silhueta nos anos 1960 e nunca mais traiu o próprio estilo. Ignorou minissaia, passou longe do movimento hippie e fingiu que as ombreiras dos anos 1980 jamais existiram. Quando ela gostava de um casaco de marcas internacionais, como Chanel ou Valentino, comprava, e depois fazia versões quase idênticas com Zulnie, mudando só o tecido ou a cor.
Para Eva, o estilo pessoal era uma moldura: elegante, constante e discreta, para nunca competir com as obras de arte da casa. Enquanto você gasta fortunas com looks sazonais, Eva estava há um século de antecedência.
A exposição também inclui a casa como palco de diplomacia cultural em “Modos de Existir: Eva Klabin e o seu tempo”, recriando — com louças, pratarias e arranjos de Roberto Burle Marx — o jantar oferecido ao banqueiro e filantropo David Rockefeller, nos anos 1970. Dizem que, naquela noite, Eva fez questão de que cada flor conversasse com cada obra de arte. Nada era aleatório.
Outro eixo mostra o cotidiano de Eva: seus hábitos culturais, os concertos na casa, e as viagens com a irmã Ema Klabin. Os tecidos do acervo serão doados a escolas de moda, e outras estruturas poderão ser reaproveitadas em projetos da Casa Museu. A programação paralela traz cursos, palestras e bate-papos pensados por Simone Ckless (Laboratório Carioca de Moda), além de workshops, apresentações musicais e um catálogo digital — para quem quer olhar, aprender e sonhar com esse guarda-roupa.

