Novo sistema inteligente do CREA-RJ promete terminar com os ‘canetinhas’ da engenharia

Tempo de leitura: 8 min


No CREA AQUI, maior encontro da engenharia, agronomia e geociências, marcado para o dia 19 de março, o presidente do Recomendação Regional de Engenharia e Agronomia do Rio (CREA-RJ), engenheiro social Miguel Fernández, vai apresentar uma medida inovadora que promete terminar com os “canetinhas da engenharia”, profissionais que assinam serviços ou obras sem nunca terem visitado o lugar: a implantação da novidade Apontamento de Responsabilidade Técnica (ART), que agora será georreferenciada, parametrizada e integrada a um banco de dados, permitindo uma atuação mais inteligente e eficiente da fiscalização do Recomendação. Com isso, a atuação dos fraudadores será banida do sistema ou sensivelmente reduzida.

A atuação dos “canetinhas” é uma tragédia para os profissionais que atuam na engenharia de modo sério. A fraude funciona assim: uma pessoa que não tem registro para atuar uma vez que engenheiro compra uma ART produzida por um mau profissional que tem registro e vive exclusivamente de comercializar autorizações para serviços e obras. Essa conduta favorece o tirocínio ilícito da profissão de engenheiro e põe em risco toda a sociedade, porque, sobretudo, no caso de ocorrer um acidente, é praticamente impossível desenredar quem são os verdadeiros responsáveis pela obra ou serviço. Com a novidade ART do CREA-RJ, os maus profissionais serão expostos.

O novo sistema exige a prova de onde o serviço está sendo feito

Com a organização do banco de dados, o chegada à informação agora será mais rápido e fácil, inclusive para órgãos públicos e autoridades encarregadas de investigação de incidentes, uma vez que a Polícia Social e o Ministério Público estadual. 

“Portanto você consegue sobresair facilmente se tem alguma coisa ali que esteja acontecendo de modo inadequado”, explica o presidente do CREA-RJ, entidade que reúne mais de 120 milénio profissionais e 20 empresas.

O sistema exige agora a prova de onde o serviço está sendo feito, dificultando que um engenheiro no Rio assine uma obra em outro extremo do estado sem ir até lá. Ou por outra, permite que o Recomendação tenha maior controle e receba alertas se um único CPF exprimir, por exemplo, várias ARTs em um único dia em locais distantes um do outro. Ao cruzar com dados de licitações ou órgãos de saúde, por exemplo, o sistema identifica “vazios” de responsabilidade técnica real. Será o termo da “engenharia fantasma”.

O presidente do CREA-RJ destaca que a iniciativa é revolucionária e segue a tendência da modernidade de empresas de informação com maior valor acionário no mundo, uma vez que Google, Meta e Amazon, que têm grande base de dados no seu background:

“A Apontamento de Responsabilidade Técnica, a lógica dela anterior, era essencialmente uma taxa de recolhimento do CREA para que o profissional pudesse mourejar com processos burocráticos exigidos pelos órgãos públicos, concessionárias, de habilitações existentes. Essa lógica permanece; ela é importante porque é um instrumento de controle da garantia de que um profissional devidamente registrado e habilitado esteja realizando o serviço. Mas com a novidade ART, o sistema agora vai informar onde e uma vez que estão acontecendo as obras, qual o valor médio, quem está trabalhando, quanto tempo tem durado cada serviço, uma vez que é a distribuição georreferenciada disso, quais são os municípios mais pujantes, que mais contratam, que menos contratam, a revelação de serviços que deveriam ocorrer, mas não estão ocorrendo; isso vai mudar o comportamento de todo o mercado da engenharia no Estado do Rio de Janeiro”, explica Miguel Fernández.

Para Fernández, a novidade ART será uma base de lucidez para toda a ação do parecer

Segundo o presidente do CREA-RJ, o novo sistema vai permitir um controle maior dos serviços e obras de engenharia no Estado do Rio, que registra por ano 360 milénio ARTs.

​”A novidade ART vai permitir a parametrização do que acontece, junto com o georreferenciamento. Esse banco de dados de lucidez vai servir para uma fiscalização muito mais efetiva, uma correção também sobre processos licitatórios, se viver alguma tentativa de fraude. E quando a gente cruzar os dados dessa base com outras bases existentes, nós poderemos obter ainda mais benefícios para a sociedade, uma vez que por exemplo fazer um interceptação de dados sobre manutenção de serviço de ar-condicionado em hospitais. A gente consegue desenredar se existem hospitais e clínicas que não possuem a manutenção periódica e adequada de equipamentos uma vez que o ar-condicionado, que podem impactar, por exemplo, em contaminação e prejuízo ao paciente que está ali internado. Portanto, ações uma vez que essas vão salvar vidas, gerar mais empregos, melhorar os serviços e aumentar a segurança de todos”, pontua Fernández.

Para Fernández, a novidade ART deixará de ser exclusivamente um instrumento burocrático arrecadatório para se transformar na base de lucidez de toda a ação do parecer, desde a fiscalização até a informação para gestores públicos que possam querer atuar de forma mais eficiente na extensão de infraestrutura, agronomia e “nas áreas que o nosso parecer dá suporte”.

Miguel Fernández explica que o sistema já em funcionamento está sendo implantado por etapas e aperfeiçoado com seu uso contínuo. 

“Portanto hoje nós temos o sistema gerando aí uma média de mais de 30 milénio ARTs mês, com georreferenciamento e parametrização, mas a gente ainda quer evoluir transformando essas informações num banco de dados por meio de dashboards para que isso possa ser de fácil consulta até pelo público”, afirma Fernández, lembrando que a mudança disruptiva vai beneficiar não só os profissionais do sistema, mas as empresas, os gestores públicos e até mesmo a ateneu que poderá usar esses dados para o desenvolvimento de pesquisas na extensão.

Prestes a completar 92 anos de instalação, em junho, o Recomendação Regional de Engenharia e Agronomia do Rio (CREA-RJ) projeta seu olhar para o horizonte e reforça seu papel uma vez que agente de transformação das profissões que constroem o desenvolvimento do Estado do Rio de Janeiro. Esse movimento ganha forma na segunda edição do CREA AQUI, um encontro criado para antecipar tendências, estimular conexões e gerar impacto nas engenharias, na agronomia e nas geociências.



Com informações da fonte
https://temporealrj.com/sistema-inteligente-crea-engenharia/

Compartilhe este artigo
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *