Ex-vereador Teco Paulista afirma que comerciantes têm sofrido com furtos de fios e invasões; caso recente terminou com prisão por receptação em ferro-velho do próprio bairro
Comerciantes e moradores de São José do Imbassaí, em Maricá, voltaram a cobrar reforço das ações de segurança diante de relatos de furtos, invasões de estabelecimentos e retirada de fios e outros materiais que posteriormente seriam revendidos. A reclamação foi feita pelo comerciante e ex-vereador de Maricá Teco Paulista, em um vídeo gravado às margens da Rodovia Amaral Peixoto (RJ-106), próximo à entrada do bairro.
Paulo César de Morais, conhecido como Teco Paulista, chegou a exercer mandato na Câmara Municipal como vereador suplente, tendo tomado posse em maio de 2022.
No relato, Teco afirma que comerciantes da região têm acumulado prejuízos com furtos de fios e arrombamentos e pede uma atuação conjunta da Guarda Municipal, das polícias e do poder público.
“Os comerciantes, moradores, não aguentam mais essa roubalheira”, afirmou.
Segundo ele, parte dos objetos furtados estaria sendo revendida para ferros-velhos para obtenção de dinheiro destinado à compra de drogas. A afirmação representa o relato do comerciante e não significa que todos os furtos registrados na região estejam relacionados ao consumo de entorpecentes.
Teco também fez um apelo aos proprietários de estabelecimentos que trabalham com materiais recicláveis para que não adquiram produtos sem origem comprovada.
Prisão em ferro-velho de São José reforça preocupação

Um caso registrado recentemente no próprio bairro apresenta características semelhantes às relatadas pelo comerciante.
No dia 23 de julho, agentes da 82ª DP (Maricá) prenderam em flagrante o responsável por um ferro-velho que funcionava irregularmente na Rua Cananéia, em São José do Imbassaí. No local, foram encontrados mais de 30 quilos de fios de cobre sem procedência, parte deles descascados ou queimados.
A investigação começou após um furto ocorrido no dia 17 de julho, também em São José. De uma residência foram levados fios elétricos, tomadas e estruturas de vidro temperado.
Segundo informações da investigação divulgadas à época, o responsável pelo ferro-velho afirmou adquirir cobre de pessoas com dependência química que circulavam pela região e teria admitido saber que parte do material era proveniente de furtos. A Polícia Civil também apontou que o estabelecimento não exigia nota fiscal, identificação ou cadastro de quem vendia os materiais.
O episódio é especialmente relevante diante da denúncia feita agora por Teco Paulista, mas, isoladamente, não permite concluir que todos os crimes registrados no bairro tenham a mesma dinâmica.
Outros casos recentes em São José
Outros casos recentes em São José
São José do Imbassaí registrou outras ocorrências de crimes contra o patrimônio nos últimos meses.
Em 7 de maio, um homem de 26 anos foi localizado pela Polícia Militar depois da invasão de uma residência na Rua Mucuripe. Segundo a ocorrência, roupas haviam sido levadas da casa e o suspeito foi encontrado horas depois em um imóvel abandonado nas proximidades usando peças apontadas pela vítima como furtadas. Ele foi encaminhado à 82ª DP.
Poucos dias depois, em 11 de maio, um salão de beleza localizado na Estrada Velha de Maricá foi alvo de um assalto. Um homem armado com uma faca ameaçou funcionárias e clientes, levou celulares, dinheiro, cartões e um veículo. A Polícia Civil posteriormente prendeu, em Niterói, um suspeito investigado pelo crime e por outros roubos violentos na região.
Outro caso aconteceu na noite de 10 de junho, quando uma mulher foi abordada por dois criminosos em uma motocicleta na Rua das Camélias, próximo à RJ-106, e teve o celular roubado. O assalto foi registrado por câmeras de segurança.
As investigações da 82ª DP levaram à identificação de um casal suspeito de participar de uma sequência de roubos de celulares em Maricá. O homem foi preso em junho e a mulher foi capturada no dia 25 do mesmo mês. Segundo a Polícia Civil, o assalto da Rua das Camélias estava entre os casos relacionados à investigação. Ao menos seis aparelhos foram recuperados.
O que dizem os números de Maricá
O que dizem os números de Maricá
Os dados oficiais mostram um cenário que exige uma leitura mais detalhada.
Levantamento feito pelo Maricá Info a partir da base mensal por município disponibilizada pelo Instituto de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro (ISP-RJ) aponta que, entre janeiro e julho de 2026, Maricá registrou 1.111 furtos, contra 1.225 no mesmo período de 2025. Isso representa uma redução de aproximadamente 9,3% no total de furtos registrados na cidade.
Portanto, os números municipais disponíveis até julho não indicam um crescimento geral dos furtos em Maricá.
Algumas modalidades, no entanto, caminharam na direção contrária. Os furtos de celulares passaram de 123 para 156 ocorrências, aumento de aproximadamente 26,8%. Já os furtos a transeuntes subiram de 45 para 61, crescimento de cerca de 35,6%.
Nos roubos — crimes que envolvem violência ou grave ameaça — houve queda no total: foram 157 registros entre janeiro e julho de 2026, contra 220 no mesmo intervalo do ano anterior, redução de aproximadamente 28,6%. Os roubos de rua caíram de 150 para 101 casos. Por outro lado, os roubos a estabelecimentos comerciais passaram de quatro para oito registros, embora os números absolutos sejam pequenos.
A base oficial utilizada é a série histórica mensal por município disponibilizada pelo ISP, construída a partir dos registros de ocorrência da Polícia Civil.
Os dados do ISP são consolidados para todo o município e, por isso, não permitem afirmar apenas com essa base se os furtos especificamente em São José do Imbassaí aumentaram ou diminuíram em 2026.
Câmeras são alvo de cobrança
Câmeras são alvo de cobrança
Outro ponto levantado por Teco Paulista foi o uso das câmeras instaladas na cidade. O comerciante pediu que os equipamentos existentes na RJ-106 e dentro dos bairros sejam utilizados para identificar suspeitos e ajudar na prevenção dos crimes.
A Prefeitura informa que Maricá possui mais de 3 mil câmeras integradas ao Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp), incluindo equipamentos para reconhecimento facial e leitura de placas. A previsão é ampliar progressivamente a rede para sete mil câmeras.
Segundo balanço divulgado pelo município, entre janeiro e julho deste ano o Ciosp participou de 132 ocorrências, que resultaram em 44 prisões e 46 veículos roubados ou furtados recuperados.
O próprio sistema já foi utilizado em ocorrências em São José. Em julho, por exemplo, um veículo com registro de roubo foi identificado pelo Ciosp e interceptado por agentes do Proeis na Rodovia Amaral Peixoto, no bairro.
Apesar disso, a cobrança dos moradores e comerciantes mostra que a sensação de insegurança permanece em determinados pontos de São José do Imbassaí, especialmente diante de ocorrências envolvendo residências, estabelecimentos comerciais, pedestres e furtos de materiais.
“De alguma forma, de algum jeito, eles têm que dar um jeito”, resumiu Teco Paulista ao pedir maior presença das forças de segurança e fiscalização sobre a comercialização de materiais sem procedência.
