“Não sou mais da base”: Aldair oficializa rompimento com governo Quaquá em Maricá

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Maricá – Presidente da Câmara elevou o tom após eleição de Allyson Elias, acusou prefeito de articular retirada de apoios, criticou exonerações e afirmou que seguirá independente do governo

O racha político entre o presidente da Câmara Municipal de Maricá, Aldair de Linda (PT), e o prefeito Washington Quaquá (PT) ganhou nesta terça-feira (6) seu capítulo mais explícito até agora.

Durante discurso no plenário da Câmara, Aldair afirmou publicamente que não integra mais a base do governo municipal, acusou Quaquá de traição, disse que vereadores teriam sido pressionados a retirar apoio da candidatura de seu filho, Allyson Elias (PT), e fez críticas diretas à atual administração.

“Eu também era da base do governo, não sou mais hoje. Hoje eu não tenho lado esquerdo, nem direito. Sou o povo de Maricá”, declarou. A fala consolida publicamente um rompimento que vinha se desenhando nos últimos dias e que ganhou força na reta final das Eleições 2026.

Aldair comemora resultado de Allyson e diz que enfrentou prefeito e vereadores

O presidente da Câmara iniciou o discurso agradecendo os votos recebidos por Allyson Elias, eleito deputado estadual em sua primeira disputa eleitoral.

Allyson conquistou 51.145 votos no Estado do Rio de Janeiro. Em Maricá, recebeu 16.256 votos e foi o candidato a deputado estadual mais votado do município, terminando à frente de Zeidan, que obteve 15.183 votos na cidade. Ao comentar o resultado, Aldair direcionou sua fala aos vereadores Marcos Bambam e Kelly Bernardos, que haviam participado da campanha de Allyson antes das mudanças de apoio ocorridas na reta final.

Segundo Aldair, os parlamentares teriam sido “obrigados” e “reprimidos” a apoiar Zeidan. “Eu sei que vocês foram obrigados, reprimidos a votar em Zeidan. Mesmo assim não conseguiram ter sucesso”, afirmou.

A acusação representa a versão apresentada por Aldair. Antes da eleição, o Maricá Info já havia mostrado que diversos vereadores e lideranças da base municipal redirecionaram seus apoios para Zeidan nos últimos dias da campanha.

Para Aldair, o resultado de Allyson representou uma vitória política de seu grupo diante da estrutura que passou a apoiar Zeidan. “Nós conseguimos vencer o prefeito e dezoito vereadores. Eu sozinho. Eu sozinho não, eu e o povo de Maricá”, declarou. A afirmação é uma interpretação política feita pelo próprio vereador. Tanto Allyson quanto Zeidan foram eleitos para a Alerj.

Aldair acusa Quaquá de ter criado candidatura para enfraquecer Renato Machado

Em outro momento, Aldair apresentou uma nova versão para a origem da candidatura de Allyson Elias. Segundo ele, Quaquá teria inicialmente incentivado Allyson a disputar uma cadeira na Alerj com a intenção de dividir votos que poderiam ir para Renato Machado.

“O Quaquá queria diminuir votos de Renato para que Renato não fosse eleito. Como ele sabe que o meu grupo é um grupo bem forte, ele foi e lançou Allyson Elias para diminuir os votos de Renato”, afirmou.

Renato terminou a votação em Maricá na terceira posição para deputado estadual, com 13.536 votos, atrás de Allyson e Zeidan. Sua situação eleitoral, entretanto, segue condicionada à disputa judicial envolvendo o registro de candidatura.

“Ele que é um traidor, eu não”

Aldair também reagiu à acusação de que teria traído o governo ao se afastar politicamente de Quaquá. Segundo o presidente da Câmara, durante o período em que apoiava Diego Quaquá para deputado federal, ele não teria realizado campanha para Fabiano Horta.

Aldair afirmou ainda que seu próprio grupo teria financiado e organizado reuniões políticas e acusou o prefeito de ter lhe dado uma “facada nas costas”. “Ele que sim é um traidor, eu não”, disparou.

O vereador também afirmou que uma das diferenças entre ele e Quaquá estaria na relação com antigos aliados. “Ele troca de amigos, eu não. Por isso meu grupo é Amigos de Aldair”, declarou.

A disputa ocorre poucos dias depois de Quaquá publicar declarações igualmente duras sobre o ambiente político do governo. Na véspera da eleição, o prefeito falou em “limpar a máquina” e afirmou que quem tivesse “pulado do barco” ajudaria o governo a seguir sem determinados pesos. Quaquá não citou Aldair nominalmente naquela publicação.

Presidência da Câmara entra no centro da disputa

Aldair também comentou as movimentações em torno da próxima eleição para a presidência da Câmara Municipal.

Nos últimos dias, uma publicação de Quaquá ao lado de vereadores da base trouxe a frase “renovação vem aí” e destacou a data de 2 de dezembro, alimentando as especulações sobre uma mudança no comando do Legislativo.

Aldair afirmou que não vê a possibilidade de deixar a presidência como uma derrota pessoal.

“Eu fui presidente cinco vezes dessa Casa e nunca tive diferença com vereador, nem vou ter. Eu ganhei eleição para ser vereador, eu não ganhei eleição para ser presidente. Nada na vida é eterno”, afirmou.

Aldair preside a Câmara de Maricá desde 2017 e foi reconduzido sucessivamente ao cargo. No início de 2025, foi eleito novamente por unanimidade dos 21 vereadores para comandar a Mesa Diretora no biênio 2025/2026.

Seu atual mandato como presidente termina em 31 de dezembro.

Aldair critica exonerações no governo

O presidente da Câmara também direcionou críticas às mudanças que estão ocorrendo na Prefeitura após as eleições. Segundo Aldair, o governo estaria exonerando “centenas de famílias” que teriam participado da construção política da vitória de Quaquá.

“Hoje estão exonerando centenas de famílias. Centenas de famílias que elegeram o prefeito”, afirmou.

As mudanças no governo já começaram a ganhar visibilidade após as eleições. Na segunda-feira (5), Quaquá anunciou Celso Pansera como novo chefe de gabinete, substituindo Dayrlene Costa, nome identificado politicamente com o grupo de Aldair. A troca ocorreu em meio ao aprofundamento da crise entre os dois grupos.

Presidente questiona realizações do atual governo

Aldair também passou a questionar diretamente a administração de Washington Quaquá.

No discurso, afirmou que projetos atualmente em execução teriam sido licitados ainda durante o governo do ex-prefeito Fabiano Horta e desafiou integrantes da base governista a apresentarem obras licitadas pela atual administração. “Traga aqui uma coisa que foi licitada no governo Washington Quaquá. Tudo que está sendo feito foi licitado no governo Fabiano Horta”, disse.

A declaração também representa uma acusação política de Aldair e não veio acompanhada, durante o discurso, de um levantamento documental sobre as licitações realizadas pelo município desde janeiro de 2025.

“O castelo começou a desmoronar”

Na parte final da fala, Aldair ampliou as críticas para o desempenho político do grupo liderado por Quaquá nas eleições. Utilizando a expressão “castelo medieval”, o presidente da Câmara afirmou que o projeto político do prefeito começaria a perder força tanto no Estado quanto dentro de Maricá.

“O castelo medieval nem foi construído, mas já está caindo, já está desmoronando”, declarou.

Aldair também fez referência ao resultado das candidaturas apoiadas pelo prefeito para a Câmara dos Deputados. Nas eleições deste domingo, Fabiano Horta foi o candidato a deputado federal mais votado em Maricá, com 50.396 votos, enquanto Diego Quaquá recebeu 16.304 votos no município. Ambos foram eleitos, mas o resultado mostrou uma diferença significativa entre as forças eleitorais dos dois dentro da cidade.

Rompimento agora é público

A manifestação desta terça-feira muda o estágio da crise política em Maricá. Até a reta final das eleições, Aldair ainda integrava formalmente um grupo político que, apesar das divergências internas, sustentava o governo Quaquá na Câmara.

Agora, o próprio presidente do Legislativo afirma que essa relação terminou. Aldair segue filiado ao PT, mesmo partido de Washington Quaquá, Allyson Elias, Zeidan, Renato Machado e de outros nomes envolvidos diretamente nas disputas das últimas semanas.

O rompimento ocorre também em um momento de reorganização da Câmara. O núcleo diretamente alinhado ao governo reúne atualmente a maioria dos 21 vereadores, enquanto Aldair passa a assumir publicamente uma posição de independência em relação ao Executivo.

Com a eleição da nova Mesa Diretora prevista para dezembro e as movimentações já iniciadas pelo prefeito em torno do futuro comando do Legislativo, a relação entre Prefeitura e Câmara deverá se tornar um dos principais pontos da política de Maricá nos próximos meses.

Depois de quase dez anos consecutivos no comando da Câmara e de uma longa trajetória como aliado dos governos petistas no município, Aldair de Linda agora declara abertamente que não faz mais parte da base de Washington Quaquá.





Com informações da fonte
https://maricainfo.com/politica/nao-sou-mais-da-base-aldair-oficializa-rompimento-com-governo-quaqua-em-marica/

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