O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, afirmou nesta quinta-feira, em entrevista à Globo, que é favorável à redução da maioridade penal no caso de crimes hediondos.
— Em todo e qualquer crime hediondo eu sou a favor de reduzir a maioridade penal — disse.
A resposta se deu na esteira do episódio em que o líder do PT no Senado, Camilo Santana, apresentou durante a discussão da PEC da Segurança, bandeira do governo, a ideia de reduzir a maioridade para 16 anos.
— O problema é que a PEC não estava discutindo isso. O PL queria reduzir para 14, o Camilo apresentou para reduzir para 16. Eu acho que a sociedade brasileira inteira é a favor da redução da maioridade para qualquer crime hediondo.
Ainda na pauta de segurança, o petista alegou que as facções brasileiras são “terroristas” para as comunidades em que atuam, e não terroristas “de Estado”. Ao analisar a classificação do CV e do PCC dessa forma pelos Estados Unidos, o candidato à reeleição disse que o país de Donald Trump fez uma interpretação equivocada sobre esses grupos:
— É um ponto que os Estados Unidos não entendem. Quando eles falam em terorismo, eles falam como se fossem aqueles que atentaram contra as duas torres americanas. Não é o caso do Brasil, onde essas facções só querem dinheiro.
Questionado sobre a demora para fazer críticas mais duras ao Supremo Tribunal Federal (STF) depois das revelações do caso Master, Lula aproveitou para defender uma reforma do Judiciário e se contrapor à forma como o bolsonarismo encara a situação.
— Obviamente que a extrema direita joga a Suprema Corte nas minhas costas porque eles querem caçar o (Alexandre de) Moraes. Não por conta do Banco Master, e sim porque ele prendeu o pai do Flávio Bolsonaro. Essa é a questão que está em jogo — apontou, antes de citar exemplos de relação entre ministros e Daniel Vorcaro para defender um novo “limite ético” aos magistrados.
Pesquisa Datafolha divulgada mais cedo mostra Flávio Bolsonaro (PL) com 47% das intenções de votos totais, contra 45% de Lula. Em relação ao levantamento da semana passada, o filho de Jair Bolsonaro oscilou dois pontos para baixo, enquanto o petista se manteve no mesmo patamar.
