– Foto MPRJ/Reprodução
O Ministério Público marca um ponto positivo em mais uma investida contra o crime organizado no interior do estado.
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A medida retira lideranças estratégicas de circulação e pune rigorosamente o uso de menores como escudos e vigias, na tentativa de restabelecer a ordem na segurança pública regional e frear os planos de expansão das facções. O golpe desferido pela Justiça condena seis integrantes da facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP).
O grupo foi sentenciado pelos crimes de associação para o tráfico, com as agravantes de uso de arma de fogo e aliciamento de menores. Entre os condenados está Victor Fernandes Tostes, vulgo “Vitinho”, apontado pelas investigações como uma das principais lideranças do tráfico na região.
Segundo o MPRJ, “Vitinho” recebeu a pena de sete anos de prisão. Para os demais integrantes do bando, o Juízo fixou penas que variam de quatro a sete anos de reclusão. De acordo com a denúncia, o reduto logístico e comercial do grupo concentrava-se nos bairros Demétrio, Jardim Beverly e Santa Teresa, em Miracema.
“Caixa de Pandora”
A derrocada do grupo começou a ser desenhada a partir de um crime de sangue. Agentes investigavam um homicídio ocorrido no município e, durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão contra suspeitos, apreenderam um aparelho celular. A Promotoria de Justiça pontua que a perícia técnica no dispositivo acabou por abrir uma “caixa de Pandora” para os criminosos.
O órgão revela ainda que, além de recolher provas robustas sobre o assassinato investigado, a análise revelou um vasto arquivo de comunicações, áudios e imagens. O material expôs toda a dinâmica de funcionamento do TCP local, detalhando a divisão de tarefas, a contabilidade das bocas de fumo e a cadeia de comando da organização.
A sentença condenatória dá especial destaque ao modus operandi violento adotado pela facção, que utilizava armamento pesado para impor uma rotina de intimidação coletiva e assegurar o controle territorial nas comunidades. Outro ponto alarmante reiterado no texto judicial é a exploração de adolescentes.
Foi constatado que os menores eram utilizados tanto na linha de frente da venda de entorpecentes quanto na vigilância dos acessos aos bairros dominados. A sentença diz que “tais circunstâncias não se apresentam dissociadas da atividade de tráfico, mas inseridas no próprio modo de funcionamento da organização criminosa”.
Realidade desafiadora
O Juízo acentua que o grupo utilizava a força armada para assegurar o domínio territorial, proteger os pontos de venda e enfrentar facções adversárias. A avaliação geral do episódio é que a condenação de “Vitinho” e seus comparsas reflete uma realidade que desafia as autoridades do Noroeste Fluminense.
No caso de cidades historicamente pacatas como Miracema, a transformação em corredores estratégicos de distribuição de entorpecentes e em focos de disputas territoriais reforça os índices de letalidade violenta. Para conter esse avanço, forças de segurança têm intensificado operações integradas no município.
O impacto desse combate está na escalada das apreensões recentes efetuadas pelo 36º Batalhão de Polícia Militar (36º BPM) e pela 137ª Delegacia de Polícia (137ª DP). O cerco ao crime organizado na região tem se destacado por ações incisivas em áreas de mata e morros.
As provas mais evidentes estão em intervenções recentes no bairro Vila Nova, onde policiais desenterraram tonéis contendo quilos de cocaína e maconha prensada. Além das drogas, as apreensões locais passaram a incluir granadas e munições, confirmando a forte presença armada descrita pelo MPRJ.
Operação Assepsia
As operações sucessivas no Morro do Cruzeiro e em bairros periféricos resultaram em flagrantes com mais de quatro mil pinos de cocaína recolhidos de uma única vez, além do desmantelamento de redes de comunicação que operavam por aplicativos de mensagens. A decisão judicial obtida pela Promotoria de Miracema consolida o esforço asfixiante do Estado contra o TCP.
A investigação descobriu que a facção atuava nas cidades de Santo Antônio de Pádua, Aperibé, Cambuci, Itaocara, Cantagalo e São Fidélis, em práticas de extorsões, homicídios e negociação de armas e drogas. As investigações também apontaram que os criminosos pagavam propina a policiais penais para permitir o uso de celulares dentro dos presídios.
No avanço registrado recentemente, ao retirar lideranças estratégicas de circulação e punir rigorosamente o uso de menores como escudos e vigias, a Justiça tenta restabelecer a ordem na segurança pública regional e frear os planos de expansão das facções no interior fluminense.
