MP Eleitoral aponta ligação de Canella com a milícia e pede ao TSE para negar registro da candidatura

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O deputado eleito Márcio Canella chega preso à Superintendência da Polícia Federal — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo


A Procuradoria-Geral Eleitoral pediu que o Tribunal Superior Eleitoral barre o registro de Márcio Canella como deputado estadual do Rio de Janeiro. O Ministério Público destaca que o parlamentar mais votado no Rio nomeou lideranças da milícia para o primeiro escalão da prefeitura de Belford Roxo e hoje é investigado por integrar organização criminosa armada.

“É possível afirmar a existência de elementos seguros e convergentes que demonstram não apenas a infiltração de lideranças milicianas na administração pública por intermédio do candidato, como também o apoio eleitoral ostensivo por elas prestado à sua campanha e a sua atuação destacada como articulador de organização criminosa armada”, destacou o vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa Bravo Barbosa.

Em parecer assinado neste sábado, Espinosa destacou a Constituição não permite que “partidos políticos se utilizem de organização paramilitar sob nenhuma forma ou sob nenhum pretexto”. O vice-pge destacou que o TSE proibiu a candidatura de integrantes de organizações criminosas para evitar a interferência das mesmas no processo eleitoral e sua infiltração no Estado.

Espinosa pediu que o Tribunal aceite um recurso contra o deferimento do registro de candidatura de Canella, dando ênfase à sua prisão preventiva no último dia 15, após a eleição, na Operação Unha e Carne. Segundo o Ministério Público, as provas mostram a “estreita vinculação” do deputado eleito a milícias da Baixada Fluminense.

O parecer destaca, por exemplo, que quando deputado da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, Canella nomeou a mulher de um líder miliciano para cargo em seu gabinete. Depois, quando prefeito de Belford Roxo, o político nomeou como secretários pelo menos duas lideranças milicianas na região, ressalta ainda o documento. Ambos os nomeados tentaram se lançar candidatos na eleição de 2024, mas a Justiça Eleitoral barrou as candidaturas, justamente pelo envolvimento com organizações criminosas.

Além disso, o parecer destaca que Canella é investigado por pertencimento a organização criminosa armada “voltada ao domínio ilícito do setor de combustíveis no Rio de Janeiro”. “A apuração atribui-lhe o papel de articulador político do grupo, apontando sua atuação na indicação de cargos de cúpula da segurança pública e indícios de recebimento de repasses financeiros em espécie, provenientes do esquema”, destacou Espinosa.



Com informações da fonte
https://oglobo.globo.com/politica/eleicoes-2026/noticia/2026/10/24/mp-eleitoral-aponta-ligacao-de-canella-com-a-milicia-e-pede-ao-tse-para-negar-registro-da-candidatura.ghtml

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