O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou a favor da condenação dos irmãos Chiquinho e Domingos Brazão por planejar e mandar matar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes, nesta quarta-feira (25), segundo dia de julgamento do caso. O segundo ministro a votar, Cristiano Zanin, seguiu o voto do relator integralmente. O placar é de 2 a 0.
Ainda nesta quarta (25) votam Cármen Lúcia e Flávio Dino. A decisão será tomada por maioria. Em caso de condenação, a Primeira Turma também fixa as penas nesta tarde.
Relator do caso, ele também defendeu a condenação de outros dois réus: os policiais militares Ronald Paulo Alves Pereira, pelos homicídios; e o também PM Robson Calixto Fonseca, ex-assessor de Domingos, por participação na organização criminosa.
Já no caso do delegado e ex-chefe da Polícia Civil Rivaldo Barbosa de Araújo Júnior, o relator entendeu não haver motivo para condená-lo por homicídios. Segundo Moraes, não há prova específica que o ligue ao planejamento ou à execução das mortes. O ministro defendeu que ele responda apenas por obstrução à Justiça e corrupção.
Crime uniu motivação política “com misoginia e racismo”, segundo Moraes
Durante a assembleia, o ministro rejeitou as preliminares apresentadas pelas defesas dos réus, que questionaram a competência do STF. Segundo Moraes, não há informações que corroborem as acusações. Sobre o crime, ele destacou a motivação política e os indícios de violência de gênero.
“Se juntou a questão política com misoginia, com racismo, com discriminação. Marielle era uma mulher preta, pobre, que estava peitando os interesses de milicianos. Qual o recado mais forte que poderia ser feito? E na cabeça misógina de executores, quem iria ligar para isso?”, afirmou Moraes.
No voto, o relator também enfatizou as evidências da ligação dos irmãos Brazão com a atividade criminosa de grupos paramilitares no Rio. “Não existe qualquer dúvida razoável sobre a vinculação dos réus com as milícias no Rio de Janeiro. Eles não tinham só contato com a milícia, eles eram a milícia”, disse o ministro.
Mãe e filha da vereadora passaram mal durante o julgamento
O julgamento começou por volta das 9h10. Por volta de 10h, Marinete da Silva, mãe de Marielle Franco, passou mal e precisou deixar o plenário da Primeira Turma, onde acontece o julgamento, Ela recebeu atendimento em uma sala de apoio ao lado do plenário. Segundo relatos, ela apresentou indícios de pico de pressão.
Cerca de 30 minutos depois, ela voltou ao plenário para continuar acompanhando o julgamento. Por volta de 11h40, a filha de Marielle, Luyara Franco, também se sentiu mal e deixou o plenário de cadeira de rodas. Ela foi encaminhada ao serviço médico.
Com informações da fonte
https://temporealrj.com/moraes-condenacao-zanin-segue-caso-marielle/

