Moradores de diferentes bairros de Maricá vêm relatando interrupções prolongadas no abastecimento de água, com situações que, em algumas localidades, já ultrapassam um mês sem fornecimento regular. O cenário ocorre em meio à estiagem prolongada, às altas temperaturas e ao aumento do consumo típico do verão — fatores que, segundo a concessionária Águas do Rio, reduziram a captação de água bruta para apenas 25% da capacidade do sistema que abastece o município.
As reclamações se concentram em regiões como Barra de Maricá, Cordeirinho e Inoã, onde moradores relatam não apenas a falta de água, mas também a ausência de informações claras sobre as causas das interrupções e a previsão de normalização.
Bairros relatam mais de um mês sem abastecimento
Na Barra de Maricá, moradores da Rua 2 afirmam que o fornecimento está interrompido, enquanto ruas vizinhas — como a Rua 0, Rua 1 e Rua 3 — seguem recebendo água normalmente. A diferença dentro da mesma localidade tem gerado questionamentos e sensação de injustiça entre os moradores.
Em Cordeirinho, a situação é ainda mais crítica. Moradores da Rua 83 relatam estar há mais de um mês sem água, o que impacta diretamente a rotina das famílias. Além disso, também são mencionados problemas no fornecimento de energia elétrica, com residências funcionando temporariamente com apenas uma fase ativa.
Já em Inoã, moradores da região da Rua do Tubarão Atacadão e da Chácara de Inoã relatam falhas recorrentes no abastecimento, além de problemas relacionados à leitura de hidrômetros, emissão de faturas e cobranças consideradas incompatíveis com a ausência do serviço.
Os moradores cobram providências e mais transparência, lembrando que o abastecimento de água é um serviço essencial e que a falta prolongada traz prejuízos à saúde, à higiene, ao bem-estar e à própria dignidade das famílias.
Captação reduzida e estiagem agravam crise
Segundo a Águas do Rio, a estiagem prolongada e a queda no nível dos mananciais fizeram com que o sistema de captação de água bruta para envio às Estações de Tratamento de Água (ETAs) Ponta Negra e Maricá passasse a operar com apenas 25% da capacidade.
Para tentar reduzir os impactos, os distritos de Itaipuaçu e Inoã estão recebendo reforço no abastecimento por meio do Sistema Imunana-Laranjal. Ainda assim, o fornecimento segue comprometido em diversas regiões do município. A expectativa da concessionária é de que a situação só seja normalizada com o retorno das chuvas nos próximos dias.
Enquanto isso, a empresa orienta a população a utilizar a água de forma consciente, priorizando atividades essenciais e mantendo reservas em cisternas e caixas d’água. Também está sendo disponibilizado abastecimento alternativo por meio de caminhões-pipa, que pode ser solicitado pelo telefone 0800 195 0 195, com atendimento gratuito por ligação ou WhatsApp.
“Virou rotina”, dizem moradores
Como mostrou o Maricá Info na última semana, o problema já se tornou recorrente para quem vive na cidade — e se repete praticamente todos os verões.
Em Cordeirinho, a moradora Luandra descreve a dificuldade no dia a dia:
“Nós não conseguimos o básico, que é o básico mesmo, lavar uma roupa… Não. A água, quando vem, uma água miserável que mal sobe…”
Já o morador Jonas Pereira relata o impacto direto na saúde da família:
“Rapaz, é um absurdo. A gente paga a conta, conta não deixa de vir, né? E nós temos uma filha de dois anos, precisa tomar banho com água melhor, né? Tô tendo que comprar água de galão, água mineral pra dar banho. Você manda mensagem pra lá, eles só falam que vai normalizar e não normaliza. Já tem mais de vinte dias e não melhora. E a conta vem, né? Cê tem que pagar a conta.”
Para Luandra, a situação deixou de ser pontual:
“Então assim, hoje nós estamos vivendo algo que não é pontual, é rotineiro. Quando não falta em Cordeirinho, falta em Bambuí, quando falta em Bambuí, falta em Cordeirinho.”
Impacto vai além das residências
Além do transtorno doméstico, a instabilidade no abastecimento afeta diretamente hotéis, pousadas, restaurantes, clínicas, hospitais, comércios e novos empreendimentos — especialmente em uma cidade que cresce rapidamente e recebe milhares de visitantes durante o verão.
A repetição desse cenário compromete o desenvolvimento urbano, o turismo, a atração de investimentos e a qualidade dos serviços públicos e privados, reforçando a percepção de que a infraestrutura de abastecimento ainda não acompanha o ritmo de crescimento de Maricá.
O que diz a concessionária
Em nota enviada ao Maricá Info, a Águas do Rio informou que equipes técnicas estiveram na manhã desta segunda-feira (22) em ruas dos bairros mencionados e que foi constatado fornecimento de água nas localidades. A concessionária solicita que os moradores informem as matrículas para verificação pontual das ocorrências.
A empresa afirma ainda que o período de estiagem provoca instabilidade no sistema, mas que as equipes seguem monitorando a operação e adotando medidas para minimizar os impactos aos clientes. A Águas do Rio reforça que permanece à disposição da população pelo telefone 0800 195 0 195, com atendimento gratuito por ligação ou WhatsApp.

