Passada a euforia do réveillon, o primeiro domingo do ano começou com cheiro de carnaval no Rio. Nem a chuva desde as 7h da manhã foi capaz de desanimar os foliões que aguardavam ansiosos pela Abertura do Carnaval Não Oficial, organizada desde 2009 pelo coletivo Desliga dos Blocos. O evento dá início a uma verdadeira maratona carnavalesca, com cerca de 70 blocos previstos para ocupar as ruas da cidade, majoritariamente na região central.
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No Centro do Rio, a Praça Marechal Âncora virou ponto de resistência contra o mau tempo. A chuva não espantou o Love Songs, bloco de rua que permanece estacionado no local e aposta em um repertório de músicas românticas — nacionais e internacionais — reinterpretadas em versões carnavalescas.
Bloco Mistérios Há de Pintar, no Boulevard Olímpico
Márcia Foletto
Por volta das 8h30, o bloco ainda estava abrigado sob o viaduto, à espera de uma trégua do tempo. Centenas de pessoas se concentraram no local e transformaram a passagem em uma festa improvisada, dançando, cantando e celebrando mesmo debaixo d’água.
Entre elas estava a fotógrafa Camila Cruz, de 27 anos. Para ela, não há previsão do tempo que segure a vontade de estar na rua.
— Eu espero o ano todo por isso. Não tem chuva certa. A gente ama esse bloco e depois daqui vou para o bloco Vem com a Minha Flor e outros blocos — contou.
Fantasiada com um chapéu de cowboy rosa, em uma vibe que ela define como “meio Barbie country”, Camila chamou atenção entre os foliões. Segundo ela, a fantasia já virou sucesso e ganha interpretações diversas. Muitos associam o acessório à cantora Lady Gaga, que usa um chapéu semelhante em um de seus álbuns.
A fotógrafa também destacou que participar da abertura não oficial do Carnaval tem uma vantagem extra para quem prefere curtir a festa com menos aperto.
— As ruas ficam mais vazias, é mais gostoso. Não tem muita gente na cidade, já que muitos ainda estão viajando por conta do recesso do fim de ano — disse.
Outro folião que roubou a cena no Love Songs foi Marcelo Ferreira, de 42 anos. Ele levou para o bloco uma fantasia que divertiu muita gente: o carro do ferro-velho, inspirado na tradicional kombi que circula pelas ruas da Zona Sul anunciando a compra de objetos usados, como geladeiras velhas, ventiladores velhos e fogões velhos.
Mesmo com a chuva persistente, Marcelo não abriu mão da caracterização. Para proteger o acessório principal da fantasia, envolveu o megafone em uma sacola plástica e seguiu firme na folia.
— Foi uma ideia a partir de todo dia eu escutar. Passa no meu trabalho, na minha casa. Moro no Flamengo. Ensacamos o megafone para não estragar a fantasia e vamos na chuva mesmo — contou.
A criatividade também deu o tom da folia no Love Songs. Um grupo de quatro amigos resolveu tirar a ideia da caixa e apareceu fantasiado de Mario Kart, chamando atenção não apenas pelos personagens, mas pelo detalhe que fez toda a diferença: boias que envolviam o corpo inteiro, criando a sensação de que cada um estava dentro de um carrinho do jogo.
As boias funcionavam como a estrutura do “kart”, simulando o carro ao redor dos foliões e garantindo um efeito visual imediato no meio da multidão.
Integra o grupo Bianca Regazzi, de 48 anos. Cenógrafa, ela foi responsável por cortar e montar partes da fantasia, que incluía a boia, peças em EVA para reforçar a ideia do carrinho e suspensórios para sustentar a estrutura.
Também estavam no grupo Vanessa Braz, de 35 anos, que interpretava a princesa, com fantasia na cor rosa; Leonardo Coelho, de 35 anos, produtor executivo, que vestiu o Mario e usava uma boia que simulava o pneu de um carro; e Gabriel Coelho, primo de Leonardo, de 37 anos, que veio caracterizado de Luigi, na cor verde.
Além do impacto visual, a fantasia acabou ganhando uma função prática em meio à folia.
— A boia vai até ser boa, porque ninguém fica encostando demais na gente, brincadeiras à parte — disse Leonardo, que idealizou todas as fantasias do grupo para o Carnaval 2026.
Colorido, irreverente e com referências musicais dos anos 1990 que atravessam gerações, o bloco Banheira do Gugu levou bom humor às ruas do Centro do Rio durante a Abertura do Carnaval Não Oficial. Pernaltas circulavam entre os foliões empunhando arminhas de bolinha de sabão, enquanto pessoas fantasiadas de patinhos amarelos de borracha — símbolo direto da banheira — ajudavam a compor a cena. Boias presas à cintura reforçavam a estética aquática do bloco.
Criado recentemente, o Banheira do Gugu está completando dois anos neste Carnaval e faz referência ao quadro “Banheira do Gugu”, exibido no programa do apresentador de televisão Gugu Liberato. O bloco realizou o cortejo na Pira Olímpica, na Praça Mauá.
Com informações da fonte
https://extra.globo.com/rio/noticia/2026/01/mesmo-com-chuva-abertura-nao-oficial-do-carnaval-leva-blocos-as-ruas-do-rio-no-primeiro-domingo-do-ano.ghtml
Mesmo com chuva: abertura não oficial do carnaval leva blocos às ruas do Rio no primeiro domingo do ano

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