O Brasil vive uma explosão nos casos de violência contra animais. No Rio de Janeiro, m 2025, o programa Linha Verde, do Disque Denúncia, registrou 17.305 denúncias, o maior número desde sua criação em 2013. O aumento foi de 27% em relação a 2024, quando houve 13.554 registros. Somente em janeiro de 2026, já foram mais de 2 mil denúncias envolvendo cães e gatos. A capital lidera o ranking, seguida por Nova Iguaçu, Duque de Caxias, São Gonçalo e Niterói.
Casos emblemáticos
Entre os episódios recentes, um pitbull foi abandonado em Bangu, na Zona Oeste do Rio. Câmeras registraram dois homens amarrando o animal a uma árvore e indo embora. O cachorro ficou preso por dois dias, sendo alimentado por vizinhos até o resgate. Rebatizado de Thor, o cão foi adotado por uma nova família.
Impunidade e resposta institucional
Apesar do crescimento das denúncias, especialistas apontam que a impunidade ainda é um dos principais fatores que alimentam a escalada da violência. Muitos casos não chegam a resultar em punições efetivas, o que reforça a sensação de que abandonar ou agredir animais não traz consequências sérias.
Em resposta à pressão social, o Ministério Público do Rio de Janeiro criou em 2026 o Núcleo de Proteção e Defesa dos Animais (NPDA), integrado ao GAEMA, para atuar de forma estratégica em casos de crueldade contra animais domésticos e silvestres. A iniciativa busca dar mais peso às investigações e ampliar a responsabilização dos agressores. Mas a medida tem se motrado ineficaz diante de uma legislação branda e ultrapassada.
Além disso, a Alerj aprovou uma lei que obriga agressores a arcar com os custos de resgate e tratamento dos animais vítimas de maus-tratos, numa tentativa de frear a reincidência e reduzir a sensação de impunidade.
O desafio
O aumento das denúncias mostra que a sociedade está mais vigilante e disposta a denunciar. Mas sem punições rápidas e exemplares, os números tendem a continuar crescendo. A criação de núcleos especializados e novas leis são passos importantes, mas ainda insuficientes diante da realidade: a impunidade segue sendo o combustível da crueldade contra animais no Rio de Janeiro.

