O ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União Brasil), preso novamente pela Polícia Federal nesta quarta-feira (15), corre o risco de perder o mandato de deputado estadual conquistado nas eleições deste ano.
Canella havia sido preso pela primeira vez em julho, durante a sexta fase da Operação Unha e Carne, da Polícia Federal. Na ocasião, os agentes encontraram um fuzil em seu carro. Ele foi liberado após a comprovação de que a arma estava sob responsabilidade de seu segurança, um policial militar.
Por causa das investigações, o Ministério Público Eleitoral tentou impedir sua candidatura à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). No entanto, no dia 29 de setembro, apenas cinco dias antes da eleição, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) autorizou sua participação na disputa.
O tribunal entendeu que não havia provas suficientes de que uma organização criminosa tivesse utilizado sua estrutura para beneficiar a campanha de Canella.
Com a candidatura liberada, o ex-prefeito recebeu 197.178 votos e se tornou o segundo deputado estadual mais votado do Rio de Janeiro.
Apesar da decisão favorável, o Ministério Público Eleitoral recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e o caso ainda não foi julgado.
Enquanto isso, as investigações da Polícia Federal avançaram. A operação apura um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo uma rede de postos de combustíveis que teria movimentado R$ 7,6 bilhões em seis anos, com suspeitas de ligação com facções criminosas. Novos elementos encontrados durante as buscas levaram à segunda prisão de Canella, nesta quarta-feira (15).
Mas como fica a situação de Canella na Alerj?
Como Canella disputou a eleição com o registro deferido, mesmo que o TSE agora negue seu registro não significa necessariamente a perda dos votos. Pela regra eleitoral, nessa situação, eles podem continuar sendo contabilizados para a legenda, beneficiando a Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP.
Assim, Canella pode perder a cadeira, mas seu grupo político ainda poderá aproveitar a votação, dependendo dos efeitos da decisão judicial.
A prisão preventiva, por sua vez, não impede automaticamente a diplomação nem provoca a perda dos direitos políticos. Mesmo preso, Canella poderá receber o diploma se o registro continuar deferido.
O futuro do ex-prefeito dependerá, portanto, de duas frentes independentes: a investigação criminal no STF e o julgamento dos recursos eleitorais no TSE. O resultado poderá definir não apenas se ele conseguirá assumir o mandato, mas também quem ficará com a cadeira conquistada nas urnas.
Agora, a situação política do ex-prefeito pode ficar ainda mais complicada. Caso o TSE aceite o recurso do Ministério Público e decida contra sua candidatura, Canella poderá ser impedido de tomar posse na Alerj, mesmo após ter sido eleito com quase 200 mil votos.
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