Com preços competitivos em relação a cidades como Paris ou Londres, qualidade de vida e uma oferta gastronômica e cultural em plena expansão, Madri se consolida como destino-chave dos investimentos no mercado imobiliário de luxo, com forte apetite do capital latino-americano.
Madri “está on fire”, resume à AFP Edoardo Corda, fundador da imobiliária de alto padrão Mi Piso en Madrid. A capital espanhola tornou-se uma “cidade estrela para investir e para viver”, e pessoas endinheiradas querem “fazer parte desse boom”.
A cidade liderou por dois anos consecutivos a lista anual da consultoria Barnes, considerada um termômetro de referência para investimentos em propriedades de luxo.
Polo dos super-ricos
“Cosmopolita, alegre e vibrante”, Madri “se impõe hoje como um dos destinos de referência para os UHNWI (pessoas super-ricas, com pelo menos US$ 30 milhões em patrimônio) de todo o mundo”, escreve a Barnes em seu último relatório, divulgado nesta quinta-feira.
“Nenhuma outra capital europeia oferece uma vida cotidiana tão fácil”, com acesso rápido a um aeroporto internacional, segurança, “clima agradável, serviços públicos eficientes, saúde de primeiro nível, educação de qualidade e um excelente sistema de transporte”, enumera a empresa.
Vista da Rua Alcalá a partir do hotel Four Seasons, no Centro de Madri
Oscar del Pozo/AFP
Venezuelanos, colombianos e o “efeito Richard Gere”
Segundo a Barnes, “uma parte significativa” dos compradores é estrangeira, e, desse total, “60%” são sul-americanos, seguidos por britânicos, franceses e norte-americanos.
Um dado confirmado por Martha Lucía Pereira, CEO da imobiliária de luxo PresVip, cuja clientela é “99%” latino-americana.
A colombiana acompanhou as ondas de investidores latino-americanos ao longo da última década, começando por “venezuelanos e colombianos”, seguidos depois por argentinos e mexicanos.
— Sempre que havia movimentos de tendência populista em seus países, as pessoas com maior poder aquisitivo queriam sair, com medo de perder suas economias — explica Antonio de la Fuente, da consultoria imobiliária Colliers.
Segundo ele, Madri acabou substituindo Miami como destino preferido desse capital.
Recentemente, também aumentou o número de investidores americanos, em um fenômeno que De la Fuente chama de “efeito Richard Gere”, em referência ao ator dos Estados Unidos, que se mudou para Madri em 2024 para viver com sua esposa, a espanhola Alejandra Silva, e passou a elogiar publicamente seu estilo de vida na capital.
Os compradores buscam “grandes apartamentos, com belos pés-direitos altos, em andares elevados”, segundo a Barnes, sobretudo em áreas como o bairro de Salamanca, de ruas largas e traçado regular, com edifícios senhoriais dos séculos XIX e XX, onde se concentram lojas de luxo e restaurantes sempre cheios.
Mais barata que Paris ou Londres
Outras regiões muito procuradas, sempre no centro, incluem Jerónimos, nos arredores do Paseo del Prado e do parque do Retiro, ambos na lista do Patrimônio Mundial da Unesco, além do entorno da Puerta del Sol, uma área que “se valorizou” desde a inauguração do luxuoso hotel Four Seasons, em 2020, observa Pereira.
O preço médio do metro quadrado nas quadras mais disputadas fica “entre 23 mil e 25 mil euros” (26,7 mil a 29 mil dólares), diz De la Fuente. Assim, um imóvel de 100 metros quadrados não sai por menos de 2,3 milhões de euros (2,6 milhões de dólares). Ainda assim, é mais barato do que em Paris ou Londres, onde o metro quadrado pode ultrapassar os 30 mil euros (34,8 mil dólares), segundo corretores.
A cidade se beneficiou da postura pró-investimento estrangeiro da presidente da Comunidade de Madri, a conservadora Isabel Díaz Ayuso, que quer transformar a capital espanhola na “Flórida da Europa”.
— Madri é um bálsamo de estabilidade social e regulatória — avalia De la Fuente.
Um oásis que não foi afetado por algumas medidas do governo central de esquerda para enfrentar a crise habitacional no país, como o fim, no ano passado, da chamada “golden visa” – que concedia residência a não europeus que investissem ao menos 500 mil euros em imóveis – e a proposta de taxar em 100% a compra de residências por estrangeiros não europeus.
“Felizmente para o país e para Madri”, essa última medida “provavelmente não será levada adiante”, devido à fragilidade parlamentar do governo do socialista Pedro Sánchez, que enfrenta dificuldades para aprovar leis, conclui De la Fuente.
Com informações da fonte
https://extra.globo.com/economia/noticia/2026/01/madri-supera-miami-e-se-torna-queridinha-dos-milionarios-latino-americanos.ghtml
Madri supera Miami e se torna queridinha dos milionários latino-americanos

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