Juliana Paes atende o EXTRA por videochamada com um vestido vermelho longo de alcinhas, maquiagem zero, pernas dobradas e pés descalços sobre o sofá de casa. O longo megahair, colocado recentemente, está dividido em duas tranças laterais.
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— Ah, esse cabelo carnavalesco é indomável! É gostoso mudar, amo cabelão, mas dá um trabalho… Quando o carnaval acabar, volto para a Juliana normal — conta ela, com aquele sorrisão indefectível de uma das mulheres mais admiradas do Brasil.
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Dezoito anos após reinar por quatro carnavais à frente da bateria da Unidos do Viradouro, a cria de São Gonçalo e Niterói volta nesta segunda-feira (16) à Marquês de Sapucaí para esbanjar toda a sua beleza, seu carisma e sua sensualidade — esta, pasmem, ela chegou a duvidar ainda ter, às vésperas de completar 47 anos. Topou a parada por Ciça, um amigo querido que a recebeu como pai em 2004, em seu primeiro reinado na Furacão Vermelho e Branco: o mestre de bateria é o homenageado da agremiação neste 2026.
Nesta entrevista exclusiva, a atriz discorre sobre afetos, medos, memórias, preparação para o carnaval, família… Samba, Juliana!
A rainha de bateria Juliana Paes é uma personagem que você “veste”, como as que costuma interpretar em novelas, séries e filmes?
Completamente. Depois dos ensaios, eu chegava em casa, me deitava e via alguns vídeos que as pessoas postavam e me marcavam… Pensava: “Gente, eu fiz isso? De onde eu tirei esse movimento?”. É uma personagem que tem vida própria, acontece no calor da cena. Fala mais alto do que o meu consciente.
No que essa personagem se diferencia de você? Ela é mais sensual?
Tenho certeza de que sim. As pessoas que me conhecem intimamente costumam dizer que sou muito moleca.
Agora, por exemplo, você está usando tranças, bem menininha…
Não sou uma lady sensual da hora em que acordo à hora em que vou dormir. Sou prática, espoleta, não paro quieta. Essa coisa mais airosa que a sensualidade suscita não é muito a Juliana do dia a dia. Incorporo ali na Sapucaí uma personagem que aflora esse meu lado.
Juliana Paes
Ita Mazzutti
Como é reviver essa personagem após 18 anos? Sambar é igual andar de bicicleta ou precisou reaprender?
Olha, o básico a gente até lembra… Mas eu quis fazer algumas aulas para me atualizar. Hoje o samba está mais rápido do que naquela época. Está mais efervescente, tem mais quebradas de ritmo. A cadência da bateria tem um frenesi. Antes, não existiam tantas paradas. Então, para acompanhar, eu precisei da ajuda de amigos. E foi ótimo poder acordar o corpo e o espírito para me balançar ao ritmo desse samba que é novo pra mim.
Você já contou que o que motivou o seu retorno foi o convite pessoal do Mestre Ciça, homenageado da vez. E o que a amedrontou nesse desafio?
Aceitei porque é o Ciça, porque é a Viradouro, porque é a minha cidade. Foi um pacote, uma conjunção quase astrológica para que isso acontecesse. Mas os temores vieram, e tinham a ver com a idade. Não necessariamente com a estética, porque eu sempre cuidei do meu corpo e acho que ele está à altura. Minha preocupação não era celulite ou barriga. A questão era: aos quase 47 anos, ainda posso rebolar, usar biquíni enfiado, me sentir sensual na frente de todo mundo? Queria que todas as mulheres de 40, 50, 60, 70 anos se colocassem na frente do espelho e falassem: “Eu tenho, sim, essa sensualidade dentro de mim”. Estou com vontade de, após o carnaval, continuar dançando, fazer as aulas de salsa que sempre quis e deixo para depois. Quero me dedicar a algo que mexa com o meu corpo, com o meu chacra básico, com o meu desejo de rebolar, de querer mexer com os meus peitos, com a minha cabeça, com os meus cabelos, sabe?
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Ciça convidou você e Luma de Oliveira para desfilarem como rainhas de bateria, mas ela não aceitou. Vocês duas conversaram? Você a incentivou?
Com certeza, algumas vezes. Ela disse: “Estou aqui no meu cantinho, vou ficar torcendo por vocês”. Sou fã da Luma não é de hoje. A gente sempre trocou figurinhas. Foi muito fácil falar com ela e entender seus motivos. Luma sempre está no carnaval, de um jeito ou de outro. Sempre presente, agora na frisa dela, assistindo aos desfiles. E ela vai ser homenageada lindamente pela escola.
Juliana Paes
Ita Mazzutti
Vocês vão se ajoelhar na Sapucaí, como ela fez no desfile de 2001…
Sim, é uma parada específica da bateria, em que a gente se ajoelha em homenagem ao Ciça. Ele é um cara muito simples, ficou resistente a ser celebrado. Nos primeiros ensaios, eu apontava pra ele, faço muita questão de reverenciá-lo o tempo todo e fazer as pessoas entenderem que ele é o enredo e está ali, vivo. Isso é lindo! E eu percebia que ele ficava tímido, virava o rosto. Recentemente, ficou um pouco mais confortável com as homenagens. Então, para ele, está sendo uma jornada aceitar que é o protagonista desse desfile.
Qual passagem marcante com Ciça você guarda com carinho?
A nossa relação sempre teve muito a ver com o carnaval, com a Viradouro. Quando comecei como rainha de bateria, ele percebeu que eu chegava à quadra sozinha, meio bobona, sem malícia. E teve um comportamento muito paternal comigo, de me proteger. Ele era meu porto seguro, a pessoa de confiança ali dentro para quem eu perguntava tudo, tirava dúvidas. Ele sempre se portou como um amigo e virou esse chamego.
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Desde que recebeu o convite para voltar a reinar, o que mudou na sua rotina de malhação e alimentação? É um cargo que exige muito fisicamente…
De volta das férias, a três semanas do carnaval, suspendi a minha cervejinha. Estou babando por uma nesse calor, como cairia bem (risos)! E segurei pão e todo tipo de doce na alimentação. De atividade física, estou fazendo pilates, muay thai, remo, prancha lateral, musculação, funcional… Tenho fascite plantar e uma hérnia na lombar. Mas, desde que começaram os ensaios, eu não tenho sentido dor, curiosamente. Acho que é porque estou me movimentando, fortalecendo a musculatura abdominal.
Juliana Paes no único ensaio de rua da Viradouro
Renata Xavier/Reprodução/Instagram
Como é para seus filhos, Pedro, de 15 anos, e Antônio, de 13, vê-la como rainha de bateria? Eles têm mais ciúme ou mais orgulho?
Acho que eles ainda não entendem bem a dimensão do carnaval… Eu não os levei aos ensaios porque terminavam muito tarde, e sou bem chata com essa coisa de dormir cedo. Os desfiles, eles veem pela TV. Este ano, estou fazendo um movimento para que assistam presencialmente. Eles ficam amarradões. Produzida para os ensaios, perguntava: “E aí, mamãe está bonita?”. E eles: “Ficou linda essa roupa! Mas você vai com esse cabelo?”. Eles tecem comentários aleatórios, mas nunca enciumados. Acho que é um reflexo do comportamento do pai. Dudu (o empresário Carlos Eduardo Baptista, de 48 anos) nunca questionou, sabe? Meu marido me olha com aquela cara de bobo e fala: “Está linda, amor, vai voltar que horas?”. Sempre foi tranquilão.
“Os donos do jogo”, série da Netflix em que você é um dos destaques do elenco, retrata o universo dos contraventores, que têm ligação direta com as escolas de samba. Como lida com essa dualidade?
Sempre houve um mistério em torno do assunto… E acho que o carnaval mudou muito. Lendo o roteiro e pesquisando para a série, aprendi muita coisa. Como todo brasileiro, circulo nesse cenário. O que a gente quer é festejar a vida. O carnaval está no nosso coração como um descanso, uma pausa nessa vida diária sofrida. Como artista, conto a história. As críticas e sugestões do que precisa ser mudado têm que estar na boca do povo. A arte tem o propósito de provocar emoção, conversas, reflexões. É para isso que eu estou aí. Mas também não quero deixar de me divertir na maior festa do mundo, de me emocionar genuinamente. O sentimento ali é puro, lindo. Como todos os que vivem o carnaval, estou de peito aberto, querendo um pouco de refresco para a alma.
Juliana Paes, o marido Carlos Eduardo e os dois filhos, Pedro e Antônio
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Créditos do ensaio fotográfico
Fotos Ita Mazzutti @itamazzutti
Vídeo Lucas Brando @lucasbrando
Edição de moda Yan Acioli @yanacioli
Produção de moda Jess Torres @_torresjess
Beleza Arthur Lordelo @arthur.lordelo
Assessoria de comunicação Agência Enne @enne.ag
Juliana Paes veste
Anna Tullia @annatulliafinds
Bendita Costura @bendita_costura
Dolce & Gabbana @dolcegabbana
Fernando Pires @fernandopiresbr
Israel Valentim @israelvalentimoficial
VENO @veno.n_
Yves Saint Laurent @ysl
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Com informações da fonte
https://extra.globo.com/entretenimento/noticia/2026/02/juliana-paes-diz-que-interpreta-personagem-que-aflora-seu-lado-sensual-como-rainha-de-bateria-e-no-calor-da-cena.ghtml
Juliana Paes diz que interpreta personagem que aflora seu lado sensual, como rainha de bateria: 'É no calor da cena'

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