Nem a chuva foi capaz de esfriar o ânimo dos atletas que entraram no tatame neste sábado, durante a rodada que definiu os medalhistas do judô na 44ª edição do Intercolegial O GLOBO/Sesc, realizada na quadra esportiva do Olaria Atlético Clube, na Zona Norte do Rio. Entre ippons e outras finalizações, os destaques ficaram por conta do desempenho do Colégio Pedro II, que conquistou oito medalhas com uma delegação de dez atletas, e do Santa Mônica Rede de Ensino, que terminou em primeiro lugar na classificação geral das categorias federadas masculina e feminina, com 57 e 72 pontos, respectivamente. Outro nome que chamou a atenção foi Ian Cruz, da Elite Rede de Ensino, que faz questão de exibir suas raízes indígenas ao subir ao pódio usando um cocar. A competição estudantil é realizada pelo GLOBO, com patrocínio do Sesc RJ e apoio da Afya.
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As disputas começaram às 9h, com as categorias sub-13 federadas masculina e feminina, nas quais concentração e estratégia foram fundamentais para os resultados. Na parte da manhã, o Colégio Pedro II foi um dos destaques ao levar dez atletas para a competição. Logo na primeira rodada, os dois estudantes que disputaram a categoria sub-13 federada conquistaram o lugar mais alto do pódio e garantiram medalhas de ouro para a instituição.
Manuella Velloso Terra, de 12 anos, confirmou o bicampeonato na categoria após enfrentar uma chave com duas lutas. Praticante da modalidade desde os 5 anos, ela já acumula experiência em competições nacionais e conta que começou a participar oficialmente de torneios em 2024.
— Oficialmente, foi em 2024 o início da minha experiência em competições oficiais. Quando entrei no Pedro II, já estava acostumada. Quero muito ser campeã mundial, das Olimpíadas e dos Jogos Escolares também — afirmou.
Outro estudante que subiu ao pódio levando as cores e os símbolos da tradicional instituição foi Arthur Martins dos Santos, também de 12 anos. Em seu primeiro ano nos Jogos do Intercolegial, ele conquistou a medalha de ouro e destacou a satisfação com o resultado.
— Estou muito feliz com a forma como tudo aconteceu hoje — disse.
Para Nathalia Gaspar, coordenadora de esporte da rede Pedro II, o desempenho é resultado de um trabalho desenvolvido há mais de uma década. Atualmente, a instituição reúne cerca de 800 alunos-atletas distribuídos nas mais diversas modalidades esportivas, e os resultados da rodada de judô refletem parte desse investimento.
— É um desafio muito grande, ainda mais para mim, que fui aluna da instituição. Estamos bem na classificação geral também, o que mostra como tem sido nosso desempenho — destacou, contando que
Segundo ela, entre os judocas da equipe, sete conquistaram medalhas de ouro e um garantiu o bronze.
Ainda durante a manhã, os irmãos gêmeos João Breno e Francisco Brayam Alves Nascimento, ambos de 12 anos e faixas azuis, dividiram o pódio representando o GET 25 de Abril, de Jacarepaguá. Os dois participaram pela primeira vez da competição, na categoria sub-13 não federada. João Breno conquistou a medalha de ouro, enquanto Francisco Brayam ficou com a prata.
O judô, modalidade frequentemente associada à disciplina e à seriedade dos combates, também reuniu histórias de parceria fora do tatame. O casal formado por Caroline de Freitas Trindade, de 13 anos, e Lucas Machado Euller, de 17, conquistou medalhas de ouro na rodada. Os dois são atletas federados e se conheceram durante os treinamentos da rede Zerohum, em Seropédica.
— Foi uma sensação muito boa hoje. Venci as duas lutas que tive. No ano passado, fui vice-campeã, mas voltei a treinar em alto rendimento — contou Caroline, faixa verde.
Faixa roxa, Lucas também está habituado a competições de alto nível e conquistou a medalha de ouro em sua primeira participação no Intercolegial. Feliz com o próprio resultado e com o desempenho da namorada, ele destacou a parceria entre os dois durante a preparação para as disputas.
— Conversamos bastante sobre o judô, e estou feliz hoje pela conquista de cada um — afirmou.
Descendente do povo indígena fulni-ô, de Pernambuco, o faixa preta Ian Cruz, de 16 anos, foi outro destaque da rodada. Ele pratica judô desde os 3 anos e faz questão de colocar o cocar que representa suas raízes sempre que sobe ao pódio. Mesmo nascido no Rio de Janeiro, Ian conta que, logo após o nascimento, foi apresentado oficialmente aos integrantes da família paterna e passou pelos ritos ancestrais de sua comunidade.
Medalhista de ouro neste sábado, o jovem já conquistou um título mundial durante os Jogos Escolares de 2023. Embora esteja estudando para prestar provas na área militar, seu sonho é seguir carreira no judô e representar também suas origens.
— Foi aqui que me encontrei. Até estou estudando para prestar provas na área militar, mas meu sonho é seguir no judô, representando também tudo aquilo que sou — disse.
A equipe do Educandário Santo Antônio também se destacou ao longo da rodada. Com uma delegação de 23 atletas, a instituição teve resultados dentro do esperado, segundo a professora de judô Maiara Guedes, que estimou em cerca de 60% a proporção de integrantes da equipe que conquistaram medalhas de ouro, prata ou bronze. Entre os destaques está Bernardo Souza, atleta federado que disputa seu primeiro ano na categoria sub-15 e conquistou o ouro nesta edição.
— Ele fez parte da seleção brasileira que disputou o Pan-Americano no ano passado, em Lima, no Peru. E temos também outros atletas que fazem parte da seleção de base do estado do Rio. Buscamos oferecer treinamento de alto rendimento aos alunos maiores de 14 anos — ressaltou Maiara.
Para Cláudio Ramos, coordenador da modalidade no Intercolegial, a pluralidade da competição e o crescimento registrado nos últimos anos são pontos positivos. Segundo ele, o número de inscritos superou o da edição anterior, assim como o de escolas participantes. Apesar da chuva, que provocou algumas ausências, a rodada contou com atletas que já disputam circuitos nacionais e internacionais, como Rafael Falcão e Ian Cruz. Também participaram delegações de escolas públicas que chegaram de ônibus para competir.
— O Intercolegial valoriza as escolas públicas e as particulares. Tivemos 501 inscritos, mais que no ano passado, e também mais colégios. A chuva fez algumas pessoas faltarem, mas não tirou o brilho da competição. A intenção é fazer crescer cada vez mais, não só a modalidade, mas o movimento dentro das escolas, e as públicas estão investindo cada vez mais no esporte — afirmou.
