Informalidade, home office e roubo de cargas derrubam desempenho do comércio do Rio, aponta pesquisa | Economia

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Informalidade, home office e roubo de cargas derrubam desempenho do comércio do Rio - Érica Martin / Agência O Dia



Informalidade, home office e roubo de cargas derrubam desempenho do comércio do RioÉrica Martin / Agência O Dia

Um estudo feito pelo Instituto Fecomércio de Pesquisa e Análises (IFec RJ) com base em números da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), do IBGE, do Instituto de Segurança Pública (ISP) e de uma pesquisa própria feita com comerciantes no Centro do Rio revela que a informalidade, o home office e o roubo de cargas são os principais responsáveis pela queda de desempenho do comércio.

A análise do IFec RJ, baseada na PMC de junho, mostra que o volume de vendas do comércio varejista do estado caiu 0,7% em junho de 2025 frente ao mês anterior e 2,8% em relação a junho de 2024. No acumulado do ano, a retração foi de 2,1%, enquanto nos últimos 12 meses a queda chegou a 0,8%. A baixa pelo terceiro mês consecutivo reflete uma tendência de desaceleração, condicionada pela política monetária restritiva e pelo enfraquecimento do estímulo fiscal. Segmentos como combustíveis e lubrificantes (-10,6%) registraram quedas expressivas, enquanto hiper e supermercados, embora também em retração, exerceram um papel de contenção de danos diante da magnitude negativa dos demais setores.

Entre os fatores que ajudam a explicar esse cenário, a informalidade se destaca como um dos principais. Estimativas do IFec RJ, baseadas em cálculo inspirado no método desenvolvido pela FGV/ETCO, que consiste na média dos métodos monetários e de trabalho informal (renda e trabalhadores), apontam que a chamada economia subterrânea movimentou R$ 1,5 trilhão no Brasil e R$ 263 bilhões apenas no estado do Rio de Janeiro, equivalente a 10,8% do total nacional. Além disso, dados de pesquisa realizada pelo IFec RJ em novembro de 2024 mostram que cerca de 40% dos moradores da Região Metropolitana do Rio consumiram algum produto ilegal nos últimos 12 meses.

Para nortear ainda mais as ações da informalidade, O IFec RJ desenvolveu o Indicador do Grau de Informalidade, com o objetivo de aprimorar as estatísticas e oferecer uma mensuração mais precisa sobre a dimensão da economia informal. Entre o segundo trimestre de 2016 e o segundo trimestre de 2025 o Grau de Informalidade no Brasil recuou 0,1%, diminuindo de 0,3778 para 0,3775. Já no estado do Rio de janeiro, no mesmo período, o Grau de Informalidade cresceu 19,6%, subindo de 0,3046 para 0,3641.

“O aumento da pirataria, aliado ao crescimento da economia informal, pressiona o comércio formal, reduz a arrecadação tributária e intensifica a concorrência desleal”, afirma o diretor-executivo do IFec RJ, João Gomes.

Outro elemento que contribui para a retração é a mudança no comportamento dos consumidores decorrente da manutenção do home office. Pesquisa do IFec RJ com comerciantes do Centro do Rio, feita entre os dias 27 e 29 de maio, mostrou que 68,5% dos entrevistados consideram que o trabalho remoto afetou negativamente seus negócios.

A insegurança também figura como entrave para o desempenho do setor. Entre janeiro e junho de 2025, o roubo de cargas no estado do Rio, segundo o ISP, cresceu 27,6% em relação ao mesmo período do ano anterior, passando de 1.234 para 1.575 ocorrências. Apenas em junho, houve alta de 3,1% frente a maio.

“Esse avanço compromete a cadeia de abastecimento, eleva custos para empresários e consumidores e enfraquece a competitividade do comércio fluminense. Diante desse quadro, a Fecomércio RJ reforça a importância de ações conjuntas de combate à informalidade e à criminalidade, além de políticas que incentivem o consumo e fortaleçam a atividade econômica no estado”, ressalta o presidente da Fecomércio RJ, Antonio Florencio de Queiroz Junior.



Conteúdo Original

2025-08-29 16:32:00

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