Uma imagem que circula nas redes sociais mostra a dramática tentativa de vizinhos e parentes de Eliete Alexandre dos Santos, de 67 anos, para tentar socorrê-la durante a chuva na noite de segunda-feira, em Manguinhos, na Zona Norte do Rio. Eles utilizam um barco em plena Avenida dos Democráticos. A casa da mulher alagou e ela passou mal após tentar recorrer a um endereço mais seguro, dentro da própria comunidade. O desfecho, no entanto, foi trágico: a idosa morreu.
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O drama de Eliete começou quando quando alagou a casa em que morava na localidade conhecida como Beco do Teteu, dentro da comunidade de Manguinhos, a idosa foi buscar abrigo na residência de um filho, a cerca de dez metros do seu endereço. Lá também começou a encher. Ela e o filho tentou então ir para um terceiro local na favela, onde mora uma filha da idosa. Mas não deu tempo.
Mulher passa mal e é socorrida de barco em Manguinhos por causa de alagamento
Eliete, que sofria de pressão alta começou a passar mal. Os parentes contam que ligaram para o Samu, mas o atendente teria informado que não havia condições de mandar uma equipe ao local, por conta dos alagamentos.
A primeira tentativa da família foi pegar uma piscina inflável para fazer de bote para sair do local. Mas não deu certo. Estava afundando. O jeito foi recorrer a um barco que fazia o socorro de outros moradores. Dessa forma conseguiram chegar com a mulher até a UPA de Manguinhos.
— Ela chegou desfalecendo. Os médicos tentaram reanimar, mas não conseguiram. Ela vomitou duas vezes. Disseram que tinha sofrido um choque térmico — contou Simone Alexandre dos Santos Oliveira, de 43, filha da vítima, que mora no Complexo do Alemão.
Segundo Miriam, outra filha, de 39 anos, no atestado de óbito consta que a mãe morrera vítima de “choque cardiogênico” (quando o coração, devido a falha severa, se torna incapaz de bombear sangue suficiente para suprir as necessidades do corpo). Mas, ela acredita que se tivesse havido socorro, o resultado seria outro.
— Não teve socorro. Só dos moradores e parentes — reclamou.
As filhas contaram que quando a mãe resolveu abandonar a casa, a água já estava na altura do peito. Eliete era auxiliar de serviços gerais e seu último trabalho foi numa fábrica de bolos em São Cristóvão, em 2022.
Espera por benefício
A mulher teve de abandonar o emprego por conta de problemas com a saúde. Após ter negado pelo INSS o pedido de aposentadoria por idade, buscava conseguir Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAs). Para isso contava com ajuda de advogado.
A espera pelo benefício já durava dois anos. A família contava com o pagamento do valor retroativo para dar entrada numa outra casa em local mais seguro. As filhas contaram que nos últimos anos a mãe perdera quatro geladeiras para as chuvas. Ela não tinham móveis ou sequer um sofá para se sentar, porque sempre que chovia perdia tudo.
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Eliene teve 11 filhos, dois quais sete ainda são vivos. O sepultamento dela está programado para a tarde desta quarta-feira, no Cemitério da Penitência, no Caju, também na Zona Norte.
A coordenação da UPA Manguinhos informou que a mulher foi levada por populares à unidade, dando entrada já em parada cardiorrespiratória que, “apesar de todos os esforços da equipe, infelizmente não foi possível reverter o quadro”. Ainda segundo a UPA, como não havia sinais ou suspeitas de causa externa, seguindo o protocolo, o corpo foi liberado e retirado pela funerária escolhida pela família da paciente.
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Com informações da fonte
https://extra.globo.com/rio/noticia/2026/02/idosa-morre-em-manguinhos-apos-ser-resgatada-em-barco-nao-teve-socorro-so-o-de-moradores-e-parentes-video.ghtml
Idosa morre em Manguinhos após ser resgatada em barco: 'Não teve socorro. Só o de moradores e parentes'; vídeo

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