Um criminoso reincidente pode voltar a enfrentar a pena de morte na Flórida após confessar o assassinato de uma criança durante um assalto a um salão de manicure no norte de Miami, ocorrido em 2013. Anthawn Ragan, hoje com 31 anos, declarou-se culpado na quinta-feira (29) de 14 acusações, entre elas roubo, agressão e homicídio em primeiro grau, pela morte de Aaron Vu, de 10 anos.
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Segundo a acusação, Ragan invadiu armado, com um cúmplice, o salão de manicure do pai do menino, Hai Vu, em um shopping de Biscayne Gardens. Imagens de câmeras de segurança mostram a dupla exigindo dinheiro de clientes e funcionários sob ameaça de armas de fogo, levando pouco mais de US$ 300. Ao deixar o local, Ragan aparece no vídeo atirando de volta para dentro do estabelecimento, atingindo Aaron Vu e ferindo o pai.
Pai e filho foram socorridos e levados a um hospital próximo, mas a criança não resistiu aos ferimentos e morreu pouco depois. Ragan também responde por tentativa de homicídio no ataque contra Hai Vu.
Julgamento e possibilidade de pena capital
Na quinta-feira, Ragan renunciou ao direito a um julgamento com júri para discutir sua participação direta no tiroteio e também abriu mão de um júri na fase de definição da pena. Com isso, a decisão caberá exclusivamente à juíza Marisa Tinkler Mendez. O Ministério Público do Condado de Miami-Dade informou que não abriu mão de buscar a pena de morte, mantendo a possibilidade de condenação máxima.
No ano passado, Ragan já havia sido poupado da pena capital em outro processo e condenado à prisão perpétua pelo assassinato de Luis Perez, de 21 anos, morto a tiros em um motel no mesmo bairro, a cerca de um quilômetro e meio do salão de manicure. O crime ocorreu poucas semanas antes do homicídio de Aaron Vu e fez parte de uma sequência de delitos cometidos em novembro de 2013, que incluiu ainda um assalto à mão armada em um restaurante da rede Burger King.
À época do assassinato da criança, o porta-voz da polícia de Miami-Dade, Alvaro Zabaleta, afirmou à NBC Miami que o caso era “triste e trágico”, destacando ser “insensato que uma criança inocente de 10 anos perca a vida”. Uma cliente do salão que participou de um memorial improvisado descreveu o menino ao mesmo veículo como “prestativo e gentil”, dizendo que “ele era um doce”.
De acordo com registros do Departamento de Correções e Reabilitação do Condado de Miami-Dade, Ragan está preso desde 26 de novembro de 2013, no Centro de Detenção Pré-Julgamento, e possui uma extensa ficha criminal. O histórico inclui cinco acusações de roubo com uso de arma letal, diversas agressões armadas, quatro acusações de homicídio em primeiro grau e uma de tentativa de homicídio, além de delitos considerados menores, como vandalismo e resistência à prisão. O volume de acusações contribuiu para que os processos por homicídio levassem mais de uma década para avançar.

