Pela primeira vez na história, uma luta feminina fechou o card das finais da IBJJF. O marco aconteceu no último domingo (25), em Lisboa, durante o Campeonato Europeu, e teve como protagonista Gabrieli Pessanha, que conquistou, pelo quinto ano consecutivo, os títulos do peso superpesado e do absoluto.
“Quem diria a Gabi de nove anos atrás que o ginásio e o mundo do jiu-jitsu parariam para assistir?”, escreveu após a conquista. A pergunta não é retórica. Ela aponta para a distância entre a origem e o lugar que hoje ocupa. Nascida e criada na Cidade de Deus, no Rio de Janeiro, a faixa-preta de 25 anos começou a treinar aos 11 em um projeto social coordenado pelo professor Márcio de Deus.
“Abri mão de momentos com a minha família e de muitas facilidades para estar 100% focada”, relatou. O retorno veio em títulos e representatividade. Em 2023, a CDD inaugurou uma praça com seu nome. Em 2024, Gabi entrou para a história como a primeira atleta a ingressar na Força Aérea Brasileira por conta do jiu-jitsu, hoje com a patente de 3º sargento.
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Os números ajudam a dimensionar o tamanho do que está sendo construído. São dez títulos mundiais com kimono (cinco no peso e cinco no absoluto), três mundiais sem kimono, nove pan-americanos, dez europeus e sete brasileiros, entre outras conquistas. A mira já está ajustada para o recorde de Marcus Buchecha, maior campeão mundial da história, com 13 títulos. No ritmo atual, a discussão deixa de ser “se” e passa a ser “quando”.
Em Lisboa, ao lado da compatriota Sarah Galvão, Gabi não apenas venceu. Ela ajudou a colocar o jiu-jitsu feminino no centro do evento, com o ginásio lotado, atenção máxima do público e forte repercussão nas redes sociais.
Por muito tempo, ouviu que o jiu-jitsu feminino não entregava o mesmo retorno nem estava no mesmo patamar do masculino. “Naquele momento, abaixei a cabeça, mas sabia que o tempo e o trabalho mostrariam a verdade.” O tempo mostrou.
“Invistam no jiu-jitsu feminino!”, pediu a campeoníssima. Investir, aqui, significa dar estrutura, visibilidade e oportunidades para que outras meninas, como aquela Gabi de 11 anos, também possam sonhar sem pedir licença.
Com informações da fonte
https://extra.globo.com/blogs/mma/post/2026/01/gabi-pessanha-invistam-no-jiu-jitsu-feminino.ghtml
Gabi Pessanha: “Invistam no jiu-jitsu feminino”

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