A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) abriu a sessão desta quarta-feira (11) em clima de pesar. Parlamentares de diferentes partidos e correntes ideológicas se uniram para homenagear a memória da ex-deputada estadual Tânia Rodrigues, que morreu aos 75 anos, em Niterói. A causa da morte não foi divulgada pela família. O velório acontece nesta quinta-feira (12), às 10h, no Cemitério Parque da Colina, em Pendotiba.
Vozes de pesar no plenário
O presidente interino da Casa, Guilherme Delaroli (PL), destacou: “Realmente é uma perda muito grande não só para o parlamento, mas para todo o estado do Rio”.
A deputada Tia Ju (REP) lembrou o papel pioneiro de Tânia na luta pela acessibilidade: “Quando ela chegou a esta Casa não havia banheiros adaptados, rampas. Ela mostrou como ter sensibilidade para atender a pessoa com deficiência”.
Luiz Paulo (PSD) recordou a sequência de perdas recentes de ex-parlamentares, enquanto Carlos Minc (PSB) ressaltou a criação da Andef (Associação Niteroiense dos Deficientes Físicos), fundada por Tânia em 1981.
Fred Pacheco (PMN) lembrou que ela foi vice-presidente da Comissão da Pessoa com Deficiência, hoje presidida por ele.
Verônica Lima (PT) destacou a militância conjunta em Niterói e a revelação de atletas para o esporte paralímpico.
Rafael Picciani (MDB) classificou a morte como uma “perda incalculável”. Outros parlamentares, como Jorge Felippe Neto (Avante) e Marcelo Dino (União), também se manifestaram.
Legado parlamentar
Tânia Rodrigues exerceu mandato na Alerj entre 1995 e 2022. Presidiu a Comissão de Saúde e foi responsável por investigações sobre falhas em bancos de sangue e hemocentros. Entre suas principais leis estão:
– Lei 2.418/1995: tornou obrigatório o uso do cinto de segurança no Estado do Rio.
– Lei 3.364/2000: instituiu a meia-entrada para jovens de até 25 anos.
– Lei 4.047/2002: definiu a pessoa idosa a partir dos 60 anos para efeitos legais.
– Criação do Dia Estadual da Luta da Pessoa com Deficiência.
Trajetória de superação
Aos três anos, Tânia contraiu poliomielite, o que marcou sua vida e inspirou sua atuação pública. Formada em Medicina pela Universidade Federal Fluminense, coordenou o Serviço de Neurologia da Casa de Caridade de Araruama e atuou como médica perita do INPS.
Em 1981, fundou a Andef, que se tornou referência nacional em inclusão, emprego e esporte paralímpico. Sua atuação foi decisiva para o fortalecimento do Comitê Paralímpico Brasileiro.

