A morte de Kurt Cobain, vocalista do Nirvana, voltou ao centro de controvérsia após um ex-capitão da polícia de Seattle afirmar que o caso deveria ser reaberto como homicídio. A versão oficial, sustentada desde 1994 pelo Departamento de Polícia de Seattle (SPD), é a de que o músico cometeu suicídio.
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Cobain foi encontrado sem vida em uma estufa anexa à sua casa em Seattle. Em poucas horas, investigadores declararam que a morte havia sido suicídio. Ele morreu em 5 de abril de 1994, aos 27 anos, em decorrência de um disparo de espingarda na cabeça. O corpo foi localizado três dias depois por um eletricista que instalava iluminação de segurança na residência.
À época, o Instituto Médico Legal do Condado de King concluiu que se tratava de suicídio com uma espingarda Remington Model 11 calibre 20, encontrada nos braços do músico, e uma nota atribuída a ele foi localizada em um vaso de planta próximo. Essa conclusão foi mantida por mais de 30 anos, apesar de teorias alternativas recorrentes, incluindo um estudo recente de pesquisadores independentes que sustenta que as evidências apontariam para homicídio.
Agora, Neil Low, que trabalhou por 50 anos no SPD e se aposentou em 2018, afirma que as provas físicas “não fecham” com a tese de suicídio. Em 2005, ele foi designado por seu chefe para auditar o caso Cobain.
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“Eu simplesmente não acredito que Kurt fez isso consigo mesmo”, disse Low, classificando a investigação como “mal conduzida”. Ele ressalta, no entanto, que não participou da apuração inicial e que ela não ocorreu no distrito ao qual estava designado na época.
Low aponta o que descreve como anomalias nas evidências de sangue, a violência do ferimento causado pela espingarda e supostas inconsistências na cena. Segundo ele, há divergências entre o laudo de autópsia e os relatórios da polícia, incluindo anotações ausentes, observações de testemunhas omitidas e detalhes conflitantes sobre os acontecimentos que antecederam a morte.
“Uma coisa sobre redação de relatórios é o fator erro humano: ouvir errado, entender errado, transpor pensamentos e esquecer detalhes”, afirmou. “Eles foram desviados. Eu poderia ter caído nisso também, mas agora acho que é homicídio, e realmente acho que o caso deveria ser reaberto.”
Questionado sobre quais procedimentos foram adotados para determinar que a morte foi suicídio antes da conclusão dos exames toxicológicos e da autópsia, o SPD reiterou sua posição: “Kurt Cobain morreu por suicídio em 1994. Esta continua sendo a posição mantida pelo Departamento de Polícia de Seattle.”

