EUA veem PCC e Comando Vermelho como ameaça regional, diz porta-voz de governo Trump

Tempo de leitura: 4 min
O chanceler Mauro Vieira conversou com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, sobre o tema — Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados e Departamento de Estado dos EUA/Divulgação


Um porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmou ao GLOBO que o governo americano considera facções criminosas brasileiras uma ameaça relevante à segurança regional, ao comentar discussões em Washington sobre o uso de instrumentos mais duros de combate ao narcotráfico contra grupos do crime organizado. A avaliação americana é que o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) estão entre as organizações que hoje preocupam autoridades de segurança no hemisfério.

“Os Estados Unidos consideram que organizações criminosas brasileiras, incluindo o PCC e o CV, representam ameaças significativas à segurança regional em razão de seu envolvimento com tráfico de drogas, violência e crime transnacional”, afirmou o porta-voz, em resposta por escrito.

O interlocutor evitou, porém, comentar diretamente a possibilidade de classificar essas facções como organizações terroristas estrangeiras — mecanismo jurídico utilizado pelos EUA para ampliar sanções e instrumentos legais contra determinados grupos.

“Não antecipamos possíveis designações terroristas nem deliberações sobre esse tipo de classificação. Estamos plenamente comprometidos em adotar medidas apropriadas contra grupos estrangeiros envolvidos em atividade terrorista”, acrescentou o interlocutor.

A possibilidade de aplicação desse mesmo enquadramento a facções brasileiras é acompanhada com preocupação pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O tema foi tratado na noite de domingo em conversa telefônica entre o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado americano, Marco Rubio. O Brasil tem defendido o aprofundamento da cooperação bilateral em segurança, com o argumento de que o combate ao crime deve preservar a soberania nacional.

O tema deverá ser tratado no próximo encontro entre Lula e o presidente dos EUA, Donald Trump, em Washington, ainda sem data definida. O mandatário brasileiro vai reforçar a ideia de parceria, mas de forma diferente do que vem acontecendo com alguns países da região.

Nos últimos meses, a hipótese de classificar facções brasileiras passou a circular com mais força em discussões dentro do governo americano. Caso esse enquadramento avance, ele poderá abrir caminho para sanções financeiras, bloqueio de ativos e restrições legais contra integrantes e apoiadores desses grupos no sistema financeiro internacional.

No Brasil, o tema é tratado com cautela. Autoridades brasileiras sustentam que organizações como PCC e Comando Vermelho são enquadradas pela legislação nacional como organizações criminosas voltadas ao lucro, e não como grupos terroristas com motivação política ou ideológica — distinção considerada central para o tratamento jurídico do tema.

As duas facções estão entre as maiores organizações criminosas do país, com atuação em diferentes estados brasileiros e presença em rotas internacionais de tráfico de drogas, além de outras atividades ilícitas.

O governo americano já adotou essa estratégia em relação à facção venezuelana Tren de Aragua e a cartéis mexicanos, classificados como organizações terroristas estrangeiras. No início de janeiro, o então presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, foi capturado por militares dos EUA e está preso nos EUA, acusado de narcoterrorismo.



Com informações da fonte
https://oglobo.globo.com/brasil/noticia/2026/03/10/eua-veem-pcc-e-comando-vermelho-como-ameaca-regional-diz-porta-voz-de-governo-trump.ghtml

Compartilhe este artigo
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *