Empresária é denunciada por desvio de R$ 12 milhões de instituições religiosas

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O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou uma empresária acusada de desviar cerca de R$ 12 milhões de quatro instituições religiosas ao longo de aproximadamente dez anos. A denúncia foi apresentada pela 1ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal Territorial da Área do Centro e Zona Portuária. Brígida Rachid José Pedro responderá pelos crimes de apropriação indébita e lavagem de dinheiro.

De acordo com o MPRJ, a denunciada teria montado um esquema de drenagem patrimonial de entidades religiosas e assistenciais centenárias, baseado em abuso de confiança e no uso fraudulento de empresas. As vítimas são a Venerável Irmandade do Glorioso Mártir São Braz; o Patrimônio da Caridade da Venerável Irmandade do Glorioso Mártir São Braz; a Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora da Conceição e Boa Morte; e a Caixa de Caridade da Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora da Conceição e Boa Morte.

Segundo a denúncia, um dos reflexos da gestão apontada como irregular é a situação da Igreja Nossa Senhora da Conceição e Boa Morte, localizada na Rua do Rosário, no Centro do Rio. O templo, com cerca de três séculos de existência e administrado por uma das irmandades, encontra-se fechado há anos e em avançado estado de deterioração.

As investigações indicam que o esquema teria começado em 2011, quando a empresária sucedeu os pais na administração das irmandades e passou a exercer controle absoluto sobre os bens eclesiásticos. O modus operandi consistia na contratação da empresa Support Serviços Empresariais, criada pela própria denunciada, para prestação de serviços administrativos e de gestão imobiliária.

De acordo com o MPRJ, a Support é uma empresa de fachada, constituída em 2011 apenas 16 dias antes de ser contratada pelas irmandades, então ainda administradas pelos pais da acusada. O órgão afirma que não há registro de funcionários vinculados à empresa e que, apesar de possuir capital social de apenas R$ 2 mil, ela movimentava milhões de reais anualmente.

“Desde sua criação e até pelo menos o ano de 2024, a Support foi uma empresa de fachada, desprovida de capacidade operacional, criada exclusivamente para permitir a transferência ilícita de recursos das irmandades para o patrimônio da denunciada, ocultando a origem ilícita dos valores”, afirma a denúncia.

Ainda segundo o Ministério Público, os recursos eram depositados nas contas da empresa e posteriormente repassados à empresária, que adotava mecanismos para ocultar e dissimular a origem do dinheiro. A investigação reuniu provas documentais e testemunhais consideradas robustas para sustentar a acusação.

Ao receber a denúncia, o Juízo da 2ª Vara Especializada em Organização Criminosa determinou o afastamento da acusada da gestão das irmandades, a nomeação de um interventor indicado pela Mitra Arquiepiscopal e a proibição de acesso às sedes, documentos, contas bancárias e demais estruturas das instituições, bem como a seus funcionários.



Com informações da fonte
https://temporealrj.com/empresaria-e-denunciada-por-desvio-de-r-12-milhoes-de-instituicoes-religiosas/

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