Dono de uma das vozes mais singulares da música brasileira, Edson Cordeiro construiu sua carreira rompendo fronteiras estéticas, sonoras e simbólicas. Além do talento vocal amplamente reconhecido, o cantor sempre foi uma figura transgressora, andrógina e sofisticada, desafiando convenções de gênero e expectativas do mercado musical.
Essa postura o consolidou como um nome respeitado, sobretudo em círculos artísticos e dentro da comunidade LGBTQIA+. Foi a partir desse lugar de maturidade artística e consciência crítica que Edson decidiu se manifestar publicamente após a repercussão de uma crítica sobre um show recente, em que identificou um viés etarista ao ver destacada sua idade como parâmetro para avaliar sua performance.
Segundo ele, o incômodo surgiu ao ler o trecho que dizia: “Edson Cordeiro ainda exibe voz notável no seu show”, com destaque para seus 58 anos.
“Existe uma ideia equivocada de que a idade define o prazo de validade de uma pessoa. Como se o talento tivesse data de vencimento”, afirmou, explicando o motivo de ter gravado o vídeo.
Ao longo do desabafo, Edson questiona a lógica que associa juventude à potência artística. “Como se aos 58 anos alguém tivesse que pedir licença para continuar fazendo aquilo que ama, cantar”, diz.
Para ele, esse tipo de leitura transforma a arte em algo restrito aos jovens e trata a maturidade como sinônimo de desgaste. “É confundir juventude com potência, maturidade com desgaste”, reforçou, ao criticar a superficialidade desse olhar.
O cantor também falou sobre a relação entre tempo e técnica vocal, rejeitando a ideia de que a voz seja algo descartável. “A voz é um instrumento que se constrói, se preserva, se respeita”, afirmou.
Na sequência, ele completou: “A verdadeira cronologia está na disciplina, no cuidado com o corpo, na escuta, no estudo diário, na consciência técnica e emocional. Não em quantos anos se tem”.
Para Edson, a experiência não pesa: “Ela aprofunda. A voz não some, ela ganha camadas, intenção, verdade”.
No encerramento, o artista transforma a crítica em afirmação de continuidade. “Eu ainda vou cantar muito, não apesar dos meus 58 anos, mas por causa deles”, declarou, destacando que hoje se conhece melhor como artista e como pessoa.
Ele concluiu com uma reflexão sobre tempo e criação: “Se existe algo que a arte não admite, é pressa. Eu não estou encerrando um ciclo. Eu estou apenas começando um novo”, disse ele, convidando o público a repensar como envelhecimento, arte e valor são tratados. Assista ao vídeo abaixo.
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Com informações da fonte
https://extra.globo.com/blogs/agito/post/2026/01/edson-cordeiro-critica-etarismo-apos-ver-sua-idade-destacada-em-critica-sobre-show-talento-nao-tem-prazo-de-validade.ghtml
Edson Cordeiro critica etarismo após ver sua idade destacada em crítica sobre show: 'Talento não tem prazo de validade'

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