Uma reunião da bancada federal do PSOL, na noite de terça-feira (3), terminou em discussão e bate-boca entre os representantes da maioria partidária e a corrente minoritária, que reivindica o direito de exercer a liderança da bancada na Câmara dos Deputados em 2026. Segundo eles, o partido está indo contra o próprio estatuto ao eleger Tarcisio Motta (RJ) como líder. O nome de Sâmia Bomfim (SP) era o preferido do grupo.
A situação se agravou quando, vendo que não haveria como derrotar o voto da maioria, a própria presidente da legenda, Paula Coradi (ES) e Heloisa Helena (que é da Rede e faz parte da federação com o PSOL) sugeriram que a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara, hoje comandada por Célia Xakriabá (MG) ficasse com o grupo. Também não foi aceito. Pela divisão partidária acertada com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos – PB), a comissão é do PSOL, e é presidida pela parlamentar mineira desde o ano passado.
A liderança da bancada psolista está nas mãos do grupo majoritário, ligado a Guilherme Boulos (SP), desde o início da legislatura. No primeiro ano, o líder foi o próprio Boulos, seguido de Érika Hilton (SP) e Talíria Petrone (RJ), ambas cotadas para assumir a Comissão da Mulher. Tarcísio é considerado “independente”, mas teria, segundo a ala minoritária, se aliado à majoritária para virar líder.
Parlamentares enviaram carta à Executiva Nacional do PSOL
A situação levou as parlamentares a enviar uma carta à Executiva Nacional do partido. Assinado por Sâmia e Fernanda Melchionna, o texto acusa o PSOL de não cumprir a regra da proporcionalidade que consta no estatuto da legenda. Por ela, a minoria teria o direito, alegam, de exercer a liderança pelo menos uma vez ao longo da legislatura. Como este é o último ano do mandato, eles vão encerrar sem ter exercido esse direito.
“Não cumprir essa regra remete aos piores métodos dentro da esquerda, de imposição hegemônica da maioria, esmagando os setores minoritários”, escreveram as parlamentares.
Elas também criticam a postura do novo líder:
“Ainda mais lastimável é a postura de Tarcísio, sendo o fiador de todo esse processo, rasgando em definitivo a proporcionalidade da bancada e impedindo, de forma autoritária e burocrática, qualquer tentativa de compensação mínima.”
Tarcísio diz que tem apoio da maioria e que estatuto não prevê rodízio
O novo líder rebateu as acusações e afirmou que a escolha respeitou o estatuto partidário:
“Não existe qualquer artigo nos estatutos da Federação PSOL/REDE ou mesmo do PSOL que determine algum tipo de proporcionalidade da liderança da bancada. Tenho o apoio da ampla maioria dos parlamentares da federação e vou exercer a liderança buscando a unidade e respeitando cada mandato da bancada. Aliás, como fiz nos 5 anos em que fui líder na Câmara de Vereadores do Rio Janeiro, fato reconhecido por todos”, afirmou o deputado.
Segundo a assessoria do parlamentar, o estatuto da federação determina que qualquer rodízio está subordinado a um acordo entre os parlamentares. O que não houve na reunião.
Sobre a reivindicação da comissão, em nota, o deputado informou que “a vaga de presidência de comissão que a bancada PSOL/Rede tem direito já estava dividida em um acordo consensual desde 2023 e não houve possibilidade de romper esse acordo”. E acrescentou que “o grupo político dessa minoria ocupou a presidência da comissão de Legislação Participativa no ano de 2024 e esteve presente em todas as comissões que solicitou ao longo de toda a legislatura com vagas importantes como CCJ e CPIs.”

