Desde que este #RioéRua viajou, em janeiro, pela trajetória de Heitor dos Prazeres, enredo da Vila Isabel para o Carnaval 2026, que o Morro da Providência entrou na agenda de visitas da coluna. Sambista, Heitor dos Prazeres também era pintor e, estabelecido com seu ateliê nas cercanias da Praça Onze, tornou cenário de seus quadros o vizinho Morro da Providência, onde nasceu o termo Favela há mais de um século. O morro entrou na agenda também pela reabertura, perto do Carnaval 2025, do Teleférico da Providência, um simpático meio de transporte para levar o cidadão da área da Central do Brasil ou da Gamboa até o alto da favela.
Retorno para lembrar que, por conta da história do Morro da Providência, o Brasil inteiro passou a chamar de favela o que durante décadas o IBGE costumava tratar como “aglomerados urbanos subnormais”, mas até o órgão oficial responsável pelo Censo voltou a chamar de favela essas comunidades urbanas estabelecidas em condições quase sempre precárias. E retomo: o teleférico foi inaugurado em 2014 quando este carioca morava na Bahia, mas o serviço foi interrompido em 2017. pouco depois da minha volta; não deu tempo de conhecer.
Mas me senti praticamente obrigado a fazer essa visita quando o Museu de Arte do Rio (MAR) inaugurou a exposição “Tião: um fotógrafo da Providência”, dedicada ao trabalho de Sebastião Pires de Oliveira, morador da zona portuária do Rio de Janeiro, que, durante mais de duas décadas, retratou, geralmente por encomenda, moradores do Morro da Providência em celebrações, em cenas do cotidiano, com a paisagem da cidade. Tião fazia seu ponto de trabalho na antiga Praça América Brum onde foi instalada a estação do teleférico, que abriga parte uma parte da exposição.
Os labirintos da memória me impediram de localizar a última vez que havia subido o morro vizinho à Central do Brasil, bem no coração do Rio – talvez 40 anos atrás, ainda repórter, quando o Oratório da Providência foi tombado pela Prefeitura do Rio. O pequeno templo com uma grande cruz no teto, conhecido como Capela das Almas, é possivelmente o marco mais antigo do morro ainda de pé: foi inaugurado no dia 1 de janeiro de 1901, o primeiro dia do século 20, exatamente para celebrar a virada do século. Teve missa e bênção solene do cardeal Joaquim Arcoverde, arcebispo do Rio, no alto do morro.
Na inauguração do oratório, o Morro da Providência já estava ocupado, há décadas, por algumas dezenas de famílias, mas apenas recentemente havia começado a ser chamado de Morro da Favela, após sua população ter sido engrossado por uma legião de soldados combatentes da campanha militar para destruir a comunidade camponesa de Canudos, liderada por Antônio Conselheiro, no interior da Bahia. O governo havia prometido caas aos soldados envolvidos nas quatro campanhas para acabar com Canudos; combatentes acamparam em torno do antigo quartel-general do Exército – onde fica o atual Palácio Duque de Caxias, que sediou o ministério até a mudança para Brasília – à espera, em vão, que a promessa fosse cumprida.
Com informações da fonte
https://temporealrj.com/teleferico-providencia-nasceu-favela/

