A Polícia Civil do Distrito Federal já concluiu que a agressão do piloto Pedro Turra, de 19 anos, contra um adolescente em Vicente Pires, no Distrito Federal, não decorreu de uma “briga por chiclete”. Inicialmente, relatos apontaram que a confusão teria começada por conta de uma brincadeira em que o acusado teria lançado uma goma de mascar na direção de outra pessoa. No entanto, segundo o delegado Pablo Aguiar, responsável pelo caso, o andamento da apuração descartou essa hipótese.
— A investigação corre em segredo de Justiça. O que eu posso dizer é que a defesa [da vítima] acompanhou testemunhas que já havíamos intimado, e realmente a gente vê que a motivação não foi o chiclete. A gente está concluindo o mais rápido possível para que o inquérito seja encaminhado ao Ministério Público — destacou o delegado.
No dia 23 de janeiro, o piloto Pedro Turra e o jovem de 16 anos se envolveram em uma briga. Durante o confronto, o adolescente foi golpeado, caiu e bateu a cabeça na porta de um carro, sofrendo traumatismo craniano severo e uma parada cardíaca. Ele segue internado em estado gravíssimo, em coma induzido, sem previsão de alta.
Em nota, o advogado Albert Halex, que representa a vítima, afirma que testemunhas e materiais coletados em celulares de envolvidos apontaram para um “acerto de contas”. A defesa alega que a briga, na verdade, teria sido uma “emboscada premeditada, motivada por ciúmes relacionados a uma ex-namorada de outro piloto, identificado pelas testemunhas”. A amizade próxima da vítima com essa ex-namorada teria gerado ciúme nesse outro piloto, amigo de Pedro Turra, segundo Halex.
— Esse piloto não estava na festa, ele estava com o Pedro Turra, muito embora ele estude no mesmo colégio de todo mundo que estava na festa. Só que ele não foi convidado. Ele compareceu lá porque a irmã dele estava na festa, e essa ex-namorada também. Ele já foi no intuito de realizar a confusão. A vítima estava lá fora e ficou sozinha. O piloto, que estava dirigindo o carro, chamou ele [a vítima], e tem uma breve discussão. O piloto fala que foi cuspido, mas não fala por quem. E o Pedro Turra estava no banco de trás. O Pedro Turra já foi para lá sob o pretexto de brigar. Eles já tinham combinado isso. Tem um áudio na polícia que mostra isso: ‘Temos que honrar’, fala o Pedro Turra. Eles chegaram juntos meia-noite e, cerca de dez minutos depois, aquilo tudo aconteceu — relata Halex, de acordo com o que ouviu das testemunhas.
O GLOBO entrou em contato com a defesa de Pedro Turra e aguarda resposta.
Desembargador nega habeas corpus
O desembargador Diaulas Ribeiro, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), negou o habeas corpus que pedia a soltura de Pedro Turra. O magistrado ainda definiu que o rapaz continue em cela individual.
Na decisão, Ribeiro afirmou que a violência registrada em vídeo revela um padrão reiterado de comportamento agressivo, incompatível com a convivência social, e considerou necessária a manutenção da prisão preventiva. Ele ressaltou que, após a repercussão do caso, surgiram novos relatos, registros policiais e vídeos que atribuiriam ao investigado outros episódios de violência. Para o relator, esses fatos reforçam a existência de um modelo reiterado de comportamento agressivo.
“(Pedro) não é vítima de más interpretações, é agente de ações que se repetem, sempre marcadas pela força física e pela completa ausência de empatia”, escreveu.
A decisão também aponta que Pedro não tem direito à prisão especial: “Não é isso que lhe asseguro”, esclarece o desembargador. Ainda de acordo com ele, ele deve ser mantido em cela individual para resguardar a sua integridade física “diante da repercussão pública dos fatos” e também para “evitar qualquer interferência indevida no ambiente carcerário”.
Ao GLOBO, o advogado da vítima, Albert Halex, elogiou a decisão.
— Foi acertada. Houve combinação de depoimentos em sede de delegacia e coação no curso do processo, com ameaça a testemunha. Essa é a medida de rigor que se impõe — afirmou.
O advogado também destacou que o magistrado esclareceu questionamentos sobre as condições da custódia.
— Ele deixou claro que não se trata de cela especial, mas de uma cela individualizada para garantir a integridade do acusado — disse.
Pedro Turra está preso desde a sexta-feira (30), após decisão que reverteu a liberdade concedida horas depois de ele ter sido detido em flagrante e pagar fiança.
A defesa de Pedro sustenta que o jovem tem residência fixa, não possui antecedentes criminais e que medidas cautelares seriam suficientes. Em declarações públicas, o advogado Eder Fior afirmou que a prisão seria resultado de comoção social e criticou a atuação da polícia. O TJDFT, porém, entendeu que há indícios de obstrução da Justiça e risco de intimidação de testemunhas, o que justificaria a manutenção da custódia.
Pedro Turra foi encaminhado ao Complexo Penitenciário da Papuda. Ele responde por tentativa de homicídio e lesão corporal grave. A prisão preventiva não tem prazo determinado.

