A vida de Oleksiy Breus é dividida entre antes e depois de 26 de abril de 1986.
Ele começou a trabalhar na usina nuclear de Chernobyl (Ucrânia) quatro anos antes. Morava na vizinha Pripyat.
E aquele parecia ser mais um dia comum.
“Eu estava dormindo profundamente, não ouvi, não vi nada. De manhã, eu sempre ia trabalhar, e fui. Não sabia nada sobre o desastre, apenas peguei um ônibus e fui para o trabalho”, relatou ele ao “Daily Mirror”.
“Quando me aproximava da estação, vi do ônibus que o quarteirão estava destruído. Os meus cabelos se arrepiaram quando vi aquilo”, continuou ele. “Eu não entendia por que eu e outros trabalhadores tínhamos sido levados para lá. Mas acabou que ainda havia muito trabalho a ser feito”, emendou.
Oleksiy foi o último a estar na sala de controle após o reator nº 4 apresentar uma falha durante uma inspeção de segurança. A explosão, que completa 40 anos, foi devastadora.
Oficialmente, 31 pessoas morreram diretamente devido à explosão inicial e síndrome aguda da radiação (SAR) nos meses seguintes. No entanto, estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS) sugerem até 4 mil mortes a longo prazo por câncer, com contagens totais reais possivelmente maiores devido aos efeitos da radiação.
“Parecia uma vala comum”, recordou Oleksiy à Sky News. “Eu tinha certeza de que todo o turno [da noite] havia morrido ali”, completou ele, atualmente com 67 anos.
Prédio abandonado em Pripyat, a cidade que servia de base para os funcionários de Chernobyl
AFP
Roda-gigante do parque de diversões abandonado de Pripyat, a cidade vizinha à usina nuclear de Chernobyl, que precisou ser evacuada após o acidente de 1986
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O símbolo soviético à frente de prédio residencial em Pripyat abandonado após a explosão na usina nuclear de Chernobyl, em 1986
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As imagens da destruição e da aparência dos colegas de trabalho o assombram até hoje:
“Eles não estavam com uma aparência boa, para dizer o mínimo. Era evidente que estavam se sentindo mal. Estavam muito pálidos. O técnico Leonid Toptunov ficou literalmente branco. Vi outros colegas que trabalharam naquela noite. A pele deles estava vermelha intensa. Mais tarde, eles morreram no hospital em Moscou.”
Toptunov e Oleksandr Akimov, o supervisor do turno, morreram em poucas semanas em decorrência da SAR.
“Quando terminei o meu turno, minha pele estava bronzeada, como se eu tivesse um bronzeado completo no corpo todo. As partes do meu corpo que não estavam cobertas pelas roupas, como as mãos, o rosto e o pescoço, estavam vermelhas”, relembrou ele.
O sentimento de impotência diante de uma castátrofe daquela magnitude, abalando o regime soviético, foi grande. Refletindo sobre o dia fatídico, Oleksiy admitiu que qualquer tentativa de minimizar os danos pareceu inútil desde o início.
O diretor da usina, Viktor Bryukhanov, o engenheiro-chefe, Nikolai Fomin, e o engenheiro-chefe adjunto, Anatoly Dyatlov, foram condenados a 10 anos de trabalhos forçados em um campo de trabalhos forçados por sua participação no desastre.
Domo protege o reator 4 de Chernobyl
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Chernobyl virou desde então uma área de exclusão. Atualmente, um domo cobre a área do reator 4. Trata-se da maior estrutura móvel terrestre do mundo, inaugurada em 2019. Construído para durar 100 anos, este escudo de aço protege contra vazamentos de radiação remanescente e permite o desmonte seguro do antigo sarcófago construído logo após o acidente. No ano passado, estrutura teria sido danificada por ataques de drones durante a guerra na Ucrânia, levantando preocupações sobre a eficácia de sua função de contenção e exigindo reparos.
Com informações da fonte
https://extra.globo.com/blogs/page-not-found/post/2026/02/chernobyl-40-anos-fui-trabalhar-sem-saber-de-nada-diz-operador-da-usina-nuclear.ghtml
Chernobyl, 40 anos: 'Fui trabalhar sem saber de nada', diz operador da usina nuclear

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