Em sua primeira manifestação desde a revelação dos últimos documentos sobre o criminoso sexual Jeffrey Epstein, o rei Charles III demonstrou preocupação com os novos indícios de envolvimento de seu irmão, o príncipe Andrew, com o magnata americano, e afirmou que está pronto para colaborar com a polícia do Reino Unido, caso seja demandado — em um momento em que há suspeitas de que o irmão de Charles (agora destituído de seu título de príncipe) tenha enviado documentos sigilosos a Epstein.
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— O rei deixou clara, em palavras e por meio de ações sem precedentes, sua profunda preocupação com as alegações que continuam a vir à tona a respeito da conduta do Sr. Mountbatten-Windsor — disse um porta-voz do Palácio de Buckingham. — Embora as alegações específicas em questão devam ser respondidas pelo Sr. Mountbatten-Windsor, se formos contatados pela Polícia do Vale do Tâmisa, estaremos prontos para apoiá-los, como seria de se esperar.
A polícia britânica afirmou que está analisando se há fundamentos para investigar uma denúncia feita por um grupo antimonarquista, que denunciou Andrew por suspeita de má conduta em cargo público e violação de segredos oficiais.
Os relatos apontam que Andrew teria transmitido a Epstein informações potencialmente confidenciais quando era representante especial do Reino Unido para o Comércio Internacional — cargo que ocupou entre 2001 e 2011, antes de renunciar devido a críticas sobre seus gastos e sua maneira de desempenhar o cargo.
E-mails difundidos pelo Departamento de Justiça dos EUA apontam que o então duque de York teria enviado ao americano informações relativas a visitas oficiais a Vietnã, Hong Kong, Shenzhen (China) e Singapura, minutos após ter recebido relatórios oficiais de um conselheiro.
A rede britânica CNN citou um outro e-mail enviado por Andrew ao financista, no qual o integrante da família real relata oportunidades de investimento no Afeganistão, descritos como “confidenciais”. As diretrizes oficiais impedem enviados comerciais britânicos de tratarem em público informações sensíveis, comerciais ou políticas no exercício do cargo.
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Pressão sobre a família real
O escândalo acentuou a pressão sobre a família real britânica e o herdeiro do trono, o príncipe William, disse na segunda-feira que ele e sua esposa estavam “profundamente preocupados com as contínuas revelações”. Embora não o tenha mencionado diretamente, William rompeu um silêncio de anos sobre os vínculos de seu tio com Epstein.
Suas declarações ocorrem no mesmo dia em que se reuniu na Arábia Saudita com o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, uma visita que foi ofuscada pelo escândalo envolvendo o ex-financista.
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Em outubro, Andrew foi despojado de todos os seus títulos reais por seu irmão mais velho, Charles III. O ex-príncipe foi acusado de violência sexual por Virginia Giuffre, principal testemunha de acusação do caso Epstein, quando a mulher era menor de idade. Ele sempre negou essas acusações.
Em novas fotos, no âmbito dos arquivos Epstein, publicadas no final de janeiro, o ex-príncipe aparece com outra mulher, o que voltou a alimentar as suspeitas contra ele. Nas imagens, Andrew aparece ajoelhado e inclinado sobre uma jovem cujo rosto foi censurado.
Também foram divulgados e-mails nos quais Andrew convidava Epstein ao Palácio de Buckingham para conversar em “particular”. (Com AFP)

