O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) aprovou por unanimidade, nesta quarta-feira (4), a abertura de uma investigação sobre investimentos de R$ 218 milhões realizados pela Cedae no Banco Master, ao longo de 2023.
O relator do caso, conselheiro Rodrigo Nascimento, afirmou em voto que há “fortes indícios de graves irregularidades” nas aplicações financeiras feitas pela companhia no banco do empresário Daniel Vorcaro. Ele determinou a notificação dos responsáveis para apresentação de defesa e documentos que possam justificar as operações.
A investigação teve origem em denúncia apresentada ao TCE pelo deputado estadual Luiz Paulo (PSD).
“Tendo em vista os substanciosos indícios de irregularidades, divirjo da sugestão do corpo técnico e formulo notificações aos responsáveis para apresentação de razões de defesa”, afirmou o conselheiro.
Nascimento também cobrou esclarecimentos da diretoria da Cedae sobre a ausência de acompanhamento das aplicações financeiras feitas no banco.
Em nota, a Cedae informou que vai prestar todos os esclarecimentos solicitados pelo tribunal e afirmou que as aplicações seguiram rigorosamente as normas de compliance e governança.
Caso Cedae amplia rastro de suspeitas envolvendo o Master
O Banco Master já estava no radar das autoridades por causa dos investimentos feitos pelo Rioprevidência, que somam quase R$ 1 bilhão em fundos do conglomerado de Daniel Vorcaro.
A Polícia Federal investiga essas operações por suspeita de terem exposto o patrimônio da autarquia a riscos elevados e incompatíveis com sua finalidade, já que o Rioprevidência é responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões de 235 mil servidores do estado e seus dependentes.
Segundo a PF, nove operações financeiras realizadas entre novembro de 2023 e julho de 2024 resultaram na aplicação de cerca de R$ 970 milhões em Letras Financeiras emitidas pelo banco privado.
Prisão de ex-presidente do Rioprevidência e liquidação do banco
O Banco Master está em liquidação extrajudicial desde novembro, após o Banco Central apontar insolvência e suspeitas de fraude. A PF apura indícios de gestão fraudulenta, créditos falsos e lavagem de dinheiro envolvendo a instituição.
Na terça-feira (3), a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal prenderam o ex-presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, durante a segunda fase da Operação Barco de Papel.
Ele havia retornado dos Estados Unidos, desembarcado em Guarulhos e alugado um carro para seguir ao Rio. No trajeto, foi interceptado pela PRF em Itatiaia e encaminhado à delegacia da PF em Volta Redonda.
A operação cumpriu três mandados de prisão temporária e nove de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em Santa Catarina.
Com informações do G1.

