Técnicos do Tribunal de Contas da União (TCU)recomendaram o veto ao repasse federal de R$ 1 milhão à Acadêmicos de Niterói, escola de samba que levará para a Sapucaí um enredo em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O dinheiro faz parte de um pacote de R$ 12 milhões firmado pela Embratur para financiar todas as agremiações do Grupo Especial do Rio de Janeiro.
A decisão ainda depende da chancela do relator Aroldo Cedraz, mas já acendeu alerta no governo. A gestão federal, até o momento, não se manifestou sobre a recomendação.
Questionamentos e suspeita de desvio de finalidade
O parecer técnico foi motivado por representação de congressistas do partido Novo, que alegam possível violação dos princípios de impessoalidade e moralidade. Segundo o documento, o repasse poderia configurar “promoção pessoal de autoridade pública”, agravado pelo fato de Lula disputar a reeleição em 2026.
Os auditores ressaltaram que impedir a apresentação do enredo seria censura, mas recomendaram que os recursos não sejam liberados.
“O que está em jogo é o uso de dinheiro público para fins que podem caracterizar promoção política e desvio de finalidade”, afirmou o deputado Luiz Lima (Novo-RJ).
Contrato sob suspeita
Além da polêmica, técnicos teriam identificado inconsistência no contrato: em vez da Acadêmicos de Niterói, consta o nome da Unidos de Padre Miguel, escola rebaixada e fora do Grupo Especial.
Campanha antecipada disfarçada de homenagem?
O ensaio técnico da Acadêmicos de Niterói, realizado na última sexta-feira (30) na Marquês de Sapucaí, provocou forte reação de parlamentares da direita. As projeções em telões com memes satirizando Jair Bolsonaro foram classificadas como “ataque político” e “militância disfarçada”.
Carlos Bolsonaro (PL) também se manifestou nas redes sociais, afirmando que o Carnaval se tornou “palanque ideológico”. Já o deputado federal General Pazuello (PL-RJ) declarou que a atuação da escola “não é arte, mas militância”.
O deputado Delegado Zucco (PL-RS) classificou o desfile como “campanha antecipada escancarada” e criticou o uso de verbas públicas. O deputado estadual Gil Diniz (PL-SP) anunciou que protocolou denúncia no Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ).
Carnaval ou militância?
As denúncias reacendem a discussão sobre a utilização do Carnaval para militância política em pleno ano de eleição. O intérprete Emerson Dias parece ter deixado isso claro durante o ensaio, ao afirmar: “É o pé esquerdo na avenida”.
Estreia com polêmica
Fundada há apenas quatro anos, a Acadêmicos de Niterói estreia na elite do Carnaval carioca com o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, que narra a infância do presidente em Pernambuco e sua trajetória até o Planalto.
A escola já garantiu R$ 4,4 milhões da prefeitura de Niterói e outros aportes públicos e patrocínios privados.

