O afastamento preventivo do capitão da Polícia Militar Alessander Ribeiro Estrella Rosa, determinado pela Corregedoria da PM após a circulação de um áudio atribuído ao oficial, trouxe novamente à tona o histórico do policial, que já foi preso e investigado por suspeita de envolvimento com o chamado “Novo Escritório do Crime”, grupo acusado de atuar na execução de homicídios sob encomenda no Rio de Janeiro.
Alessander se apresentou à Delegacia Judiciária de Polícia Militar, em Nova Iguaçu, em maio do ano passado, após ser denunciado pelo Ministério Público como integrante do grupo criminoso. À época, ele foi encaminhado para a Unidade Prisional da PM, em Niterói, onde aguardou audiência de custódia.
Segundo as investigações, o “Novo Escritório do Crime” operava de forma semelhante à organização criminosa original chefiada pelo ex-capitão do Bope Adriano Magalhães da Nóbrega, morto em 2020. O grupo seria comandado pelo ex-policial militar Thiago Soares Andrade Silva e cobraria, em média, cerca de R$ 150 mil por execuções encomendadas.
De acordo com o Ministério Público do Rio, os policiais envolvidos forneciam armamento e davam suporte operacional à quadrilha, que é investigada por ao menos duas execuções cometidas à luz do dia.
Apesar do histórico investigativo, Alessander Ribeiro Estrella Rosa recebeu homenagens oficiais nos últimos anos em diferentes esferas do poder público.
Em 2023, o então governador Cláudio Castro concedeu ao policial uma medalha de reconhecimento pelos 10 anos de serviços prestados à corporação. A honraria foi concedida por meio de decreto estadual, dentro de um procedimento administrativo conduzido pela própria Polícia Militar.
No ano seguinte, em 2024, Alessander foi homenageado pela Câmara dos Deputados com uma “Moção de Louvor e Regozijo”, por indicação do deputado federal Sargento Portugal (Podemos). No requerimento, o parlamentar destacou a “ilibada carreira” do capitão e os “excelentes serviços prestados ao povo carioca”, afirmando que a homenagem se baseava em critérios técnicos e resultados operacionais.
O policial também foi alvo de reconhecimento em âmbito municipal e estadual. Ele recebeu homenagens da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) e da Câmara de Vereadores de Belford Roxo, município da Baixada Fluminense onde atuava. No entanto, não é possível confirmar na Alerj qual deputado teve a iniciativa de homenagear o, na época, tenente — e hoje capitão — da corporação – Alessander Ribeiro Estrella Rosa.
As condecorações passaram a ser questionadas após a prisão do capitão e, mais recentemente, com o novo afastamento determinado pela Corregedoria da PM, em meio à apuração sobre o conteúdo do áudio que circulou nas redes sociais e sugere uma suposta negociação com traficantes para retirada de barricadas na região.
Em razão das investigações anteriores, Alessander já respondia a procedimento interno na Corregedoria da Polícia Militar, que pode resultar em sua expulsão da corporação. Desde a prisão, ele exercia apenas funções administrativas até ser afastado preventivamente neste mês.
O caso segue sob apuração administrativa e também é acompanhado pelo Ministério Público, enquanto a Polícia Militar avalia os desdobramentos disciplinares.

