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Marcelino informou ao Portugal Giro que a decisão do MP descartou incluir acusações, requeridas pela defesa do casal, de crime de ódio contra integridade física qualificada:
— Decepcionante foi a tipificação como tentativa de roubo. A gente sabe que não foi isso, pensávamos que ao menos seriam acusados pelo crime de ódio e de integridade física qualificada, já que ao agredir diretamente a cabeça, eles assumem o risco de matar.
O brasileiro lamentou que apenas três dos dez agressores tenham sido acusados. Os indiciados são dois portugueses e um brasileiro.
— Totalmente diferente do que esperávamos (…) Sendo que no momento identificamos seis. Apenas três foram acusados pelo crime de tentativa de roubo com violência — disse Marcelino, continuando:
— (…) Tínhamos ciência de que havia gravações, mas que a polícia não levou em conta todos os demais elementos. A impunidade dos outros sete é o mais triste, já que eu vi eles agredindo, com chutes e pontapés o Bruno, vi cada um deles e mesmo assim apenas três irão a julgamento.
Segundo Marcelino, empresário e doutorando em estudos sociais de Europa e América Latina, a justificativa da acusaçãofoi a seguinte:
— Foi que não se provou os demais crimes e nem a participação das demais pessoas. Porém, uma testemunha relatou que viu a agressão pelas câmeras de segurança de um dos estacionamentos. Ou seja, havia como provar, se a polícia estivesse de fato interessada. Nós fomos atrás das gravações, mas apenas a polícia poderia obtê-las.
Depois de dois anos e dois meses de inquérito, Marcelino disse somar revezes na vida do casal, que deixou Portugal com medo de retaliações.
— (…) Todo um sonho que foi desfeito. O meu projeto de startup (de divulgação científica) pelo Startup Visa, que já estava em incubação no Régia-Douro Park, o de Kaique de começar a trabalhar como chefe de cozinha em Portugal…— disse ele, completando:
— Todo o investimento que fizemos para sair do Brasil e estar ali, não conseguimos recuperar até hoje, foram danos imensuráveis, emocional, social, econômico… de vida!
As acusações foram fundamentadas em provas testemunhais do casal e de um policial, prova pericial dos relatórios de avaliação de dano corporal e prova documental, como autos de notícia e reconhecimento e fotos.
O casal foi espancado por dez pessoas na rua no último sábado de 2023 em Gaia, cidade vizinha ao Porto.
Como publicado no Portugal Giro, eles foram vítimas de violência após deixarem uma festa brasileira em Gaia. Os agressores pediram € 10 e, ao ouvirem a recusa, iniciaram a violência.
Em uma rede social, Marcelino escreveu que a motivação dos agressores teria sido “xenofobia, homofobia e racismo, que está cada vez mais evidente aqui em Portugal”.
A queixa na delegacia de polícia não incluiu racismo, homofobia e xenofobia e ficou registrada como crime contra a propriedade.
Em resposta ao Portugal Giro na época, a assessoria de imprensa do Comando Metropolitano do Porto da Polícia de Segurança Pública informou que foram identificados seis agressores. E transmitiu o fato às autoridades judiciais.

