Brasil no Oscar: entre o orgulho e o velho complexo de vira-lata

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Hoje tem brasileiro olhando para a TV com a esperança de ouvir o nome do país ecoando na cerimônia do Oscar, em Los Angeles. Não é pouca coisa. Durante anos nos acostumamos a aparecer no noticiário internacional mais pelos nossos problemas do que pelos nossos talentos. O Brasil chega à maior e mais popular premiação do cinema mundial com representantes de peso: o longa “O agente secreto”, de Kleber Mendonça Filho, seu protagonista Wagner Moura, e Adolpho Veloso, que concorre na categoria de melhor fotografia por “Sonhos de trem”.
Após o sucesso alcançado por “Ainda estou aqui” em 2025, é compreensível que o público esteja ansioso. O esperado seria que mesmo aqueles que não são grandes apreciadores da sétima arte compartilhassem desse sentimento de orgulho.
Mas sabemos que não tem sido assim. Num país dividido, até uma de nossas grandes riquezas, a cultura, vem sendo menosprezada e atacada por uma parcela de brasileiros. É justamente a qualidade da nossa produção cultural, porém, que nos faz ocupar um lugar de destaque e respeito em outros cantos do mundo. Convenhamos: é muito mais bacana virar notícia como o país que faz bons filmes e boa música do que como um destino violento, perigoso ou corrupto.
Que lugar queremos ocupar no mundo?
Ao longo desta semana, aqui mesmo no EXTRA, publicamos uma entrevista com Lázaro Ramos. Ele falava com satisfação do amigo de longa data Wagner Moura e destacava: “A gente tá na moda por estar fazendo filmes que falam do nosso Brasilzão. A gente está sendo a gente mesmo”.
Respeitar o local para ser universal. Honrar nossas raízes para frutificar em outros terrenos. Está na cara que nossas principais qualidades são justamente aquilo que muitos brasileiros recalcados julgam menor ou inferior. Por deslumbre ou ignorância, muitos ainda acreditam que tudo o que é feito lá fora é melhor. Enquanto isso, estrangeiros veem aqui, cada vez mais, características únicas que nos tornam potentes. E elas não são compradas no mercado; são intrínsecas: simpatia, bom humor, alegria… e um consequente jogo de cintura para driblar adversidades e tocar a vida.
Parece banal, não é? Mas, num mundo cada vez mais carrancudo, dominado pelo ódio e pelo dinheiro, essas qualidades podem fazer de nós um povo especialmente versátil e resiliente.
Eu não sei se Deus é brasileiro. Mas, seja você uma pessoa de fé ou um ateu, que Deus o livre de seguir acreditando, e propagando, que somos atrasados, que só o que vem do exterior é que presta.
Sem fechar os olhos para os nossos problemas, que a gente perceba de uma vez por todas: não há nada mais miserável e cafona do que ser um cidadão vira-lata.
Somos nós que definimos nosso pedigree.
Vai, Brasil! Segue brilhando.
Gabriela Germano é editora-assistente e atua na área de cultura e entretenimento desde 2002. É pós-graduada em Jornalismo Cultural pela Uerj e graduada pela Unesp. Sugestões de temas e opiniões são bem-vindas. Instagram: @gabigermano E-mail: gabriela.germano@extra.inf.br



Com informações da fonte
https://extra.globo.com/entretenimento/conexoes/coluna/2026/03/brasil-no-oscar-entre-o-orgulho-e-o-velho-complexo-de-vira-lata.ghtml

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