A Polícia Civil de Santa Catarina afirmou, em nota divulgada nesta sexta-feira (6), que a imagem exibida em um vídeo sobre o caso do cão Orelha, e apresentada publicamente como parte da apuração, tinha caráter “meramente ilustrativo”. O frame, produzido pela Secretaria de Estado da Comunicação (Secom) em parceria com a polícia, mostrava o adolescente apontado como autor do ato saindo para a praia acompanhado de uma jovem às 6h35 do dia 4 de janeiro, e foi utilizado apenas para exemplificar uma das diversas imagens captadas pelas câmeras de monitoramento naquela madrugada.
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“Ressalta-se que a referida imagem foi utilizada no vídeo com caráter meramente ilustrativo, para exemplificar uma das diversas imagens captadas pelas câmeras de monitoramento naquele dia”, destaca a polícia, em nota.
A nota detalha a movimentação dos adolescentes entre a área da piscina e a praia ao longo da noite. Conforme a Polícia Civil, o jovem investigado saiu da piscina em direção à praia às 5h25 acompanhado de outros rapazes, retornou às 5h58 com uma amiga, voltou a sair às 6h35 e entrou novamente no condomínio às 6h37, também com essa jovem.
É justamente esse último deslocamento que aparece na imagem divulgada no vídeo. A corporação sustenta que a utilização do frame não altera as conclusões do inquérito e afirma que a investigação segue em andamento, aguardando a extração de dados de celulares apreendidos, que podem reforçar ou ampliar os elementos já reunidos.
Relatório de investigação da Delegacia-Geral da Polícia Civil, de 2 de fevereiro, aprofunda a cronologia e aponta divergências entre registros automáticos da portaria e a análise manual das câmeras. Pelo sistema de reconhecimento facial, o adolescente teria retornado ao condomínio às 4h54, mas a análise das imagens indicou que ele entrou, na verdade, às 6h37, acompanhado da jovem.
Segundo os investigadores, o reconhecimento facial falhou nesse momento, o que impediu o registro no horário. O documento também ressalta que as câmeras do condomínio estavam com o relógio adiantado em cerca de 30 minutos, exigindo ajustes na leitura dos horários.
O relatório ainda descreve o trajeto do cão Orelha naquela madrugada. Imagens de câmeras da região mostram que o animal saiu de sua casinha às 5h18 em direção à praia, percorreu cerca de 600 metros até o deck do condomínio Águas da Brava e permaneceu nas imediações por aproximadamente uma hora, já caminhando lentamente, antes de se abrigar atrás de um vaso de plantas.
Por volta das 7h35, seguiu novamente em direção à casinha. A Polícia Civil afirma que essa cronologia é compatível com os laudos e depoimentos que indicam uma lesão contundente na cabeça, cuja evolução levou à morte do animal durante atendimento veterinário no dia seguinte.
No mesmo relatório, os investigadores destacam a apreensão de um moletom preto e de um boné rosado usados pelo adolescente na madrugada do dia 4 de janeiro, peças que aparecem em imagens das câmeras e foram recolhidas durante o cumprimento de mandado de busca no dia 29, no aeroporto de Florianópolis.
A polícia sustenta que a tentativa de justificar as roupas como recém-adquiridas em viagem ao exterior não se sustenta diante dos registros anteriores. A defesa do adolescente, por sua vez, questiona a investigação, afirma que o vídeo divulgado gerou interpretações equivocadas e sustenta que não há prova direta da agressão, acusando “politização” do caso.
“A Polícia Civil de Santa Catarina segue conduzindo sua investigação com rigor técnico, aguardando ainda a conclusão da extração dos dados dos celulares apreendidos de adolescentes, cujas análises poderão corroborar os elementos probatórios já obtidos e até mesmo trazer eventuais novas informações”, afirma a instituição.

