Em 2021, 18 girafas foram trazidas de avião da África do Sul destinadas ao BioParque do Rio e ao Hotel Safari Portobello, em Mangaratiba, na Costa Verde do Rio. Passados dois meses, três animais morreram ao tentar fugir do confinamento — dias depois uma quarta girafa também morreu devido a uma doença muscular. Após quatro anos, a Justiça Federal do Rio de Janeiro julgou a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), recebida pela 10ª Vara Federal Criminal do Rio, que apontou que os animais teriam sido importados irregularmente e sofrido maus-tratos.
Na decisão, a Justiça analisou as responsabilidades administrativas e técnicas dos envolvidos, incluindo gestores do zoológico e servidores ligados ao licenciamento ambiental. No processo, foi discutida a existência de contrabando de fauna exótica, destinação comercial proibida pela legislação ambiental e a veracidade de documentos técnicos que subsidiaram as licenças de importação.
O então gerente técnico do empreendimento, Cláudio Hermes Maas, foi condenado por contrabando, maus-tratos e infração ambiental — com pena total de 5 anos, 1 mês e 15 dias de privação de liberdade, em regime inicial aberto, além de multas.
Já Manoel Browne de Paula, diretor de operações, recebeu pena total de 5 anos, 4 meses e 15 dias — também em regime aberto — pelos crimes de contrabando, maus-tratos e falsidade ideológica ambiental.
O terceiro condenado — com base no artigo 69-A da Lei de Crimes Ambientais — é Hélio Bustamante Pereira de Sá, analista ambiental, que cumprirá pena de 1 ano de detenção — substituída por restritiva de direitos.
Segundo a sentença, os réus não possuem antecedentes criminais relevantes além dos fatos relacionados ao processo.
“O maior caso de tráfico de animais da história do Brasil”
De acordo com a Polícia Federal, o episódio envolvendo a importação das girafas com destino ao Rio de Janeiro é considerado o maior caso de tráfico de animais da história do Brasil.
Investigadores apontam que as girafas foram acomodadas em baias de 31 metros, com pouca luz, alta umidade, mobilidade limitada e cercadas de excrementos. O laudo da necropsia revelou que as girafas passaram por muito sofrimento antes da morte e que tiveram hematomas, lesões pulmonares e coágulos cardíacos.
Após o episódio, o Bioparque reformou as baias e aumentou a área de circulação dos animais.
Catorze animais continuam vivendo no mesmo local
O caso ganhou repercussão nacional em 2022, por envolver denúncias de maus-tratos, possível contrabando de animais silvestres e uso de informações falsas no licenciamento ambiental. Algumas das girafas chegaram à morte ao longo do tempo em que ficaram confinadas.
Todas as 14 girafas restantes continuam vivendo no resort em Mangaratiba aguardando um novo destino que será definido pelo Ibama.
A instituição reiterou, em 2024, que as 14 girafas estariam em boas condições, recebendo cuidados de uma equipe especializada — negando ainda que houve maus-tratos.

