Anvisa aprova novo medicamento oral para prevenção de enxaqueca

Tempo de leitura: 4 min


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta terça-feira (8) o Aquipta, novo medicamento oral destinado à prevenção de crises de enxaqueca episódica e crônica em adultos. O princípio ativo é o atogepanto hidratado, e o produto será comercializado no Brasil pela AbbVie Farmacêutica.

O medicamento é indicado para adultos que apresentam pelo menos quatro episódios de enxaqueca por mês. Diferentemente de remédios utilizados após o início da dor, o atogepanto atua de forma preventiva, bloqueando a ação de uma substância envolvida nos mecanismos da enxaqueca.

A aprovação foi publicada no Diário Oficial da União por meio da Resolução nº 3.458. A Anvisa autorizou apresentações de 10 mg e 60 mg, ambas em caixas com 28 comprimidos.

Apesar da aprovação da Anvisa, o Aquipta ainda não está disponível para venda no país. O medicamento passará pela avaliação da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), responsável pela definição do preço. Segundo a AbbVie Brasil, ainda não há previsão para a chegada do produto às farmácias brasileiras.

O atogepanto já é comercializado nos Estados Unidos e em países da Europa. O atogepanto pertence a uma classe de medicamentos que atua sobre o CGRP, um peptídeo relacionado à transmissão da dor e aos mecanismos envolvidos nas crises de enxaqueca.

A substância bloqueia a ligação do CGRP ao seu receptor, interferindo em uma das principais vias associadas ao desenvolvimento das crises.

A decisão da Anvisa levou em consideração resultados dos estudos clínicos Advance e Progress, que avaliaram a eficácia, segurança e tolerabilidade do medicamento.

No estudo Advance, que reuniu cerca de 910 participantes, pacientes que receberam atogepanto de 60 mg uma vez ao dia tiveram redução média de 4,1 dias de enxaqueca por mês. No grupo que recebeu placebo, a redução foi de 2,5 dias.

Além disso, 59% dos participantes tratados com o medicamento tiveram redução de pelo menos 50% na frequência das crises, contra 29% entre os que receberam placebo.

Já o estudo Progress avaliou cerca de 778 adultos com enxaqueca crônica durante 12 semanas. A redução média foi de 6,9 dias de enxaqueca por mês entre os pacientes tratados com atogepanto, contra 5,1 dias no grupo placebo.

O Aquipta não é o único medicamento dessa nova abordagem aprovado recentemente pela Anvisa. Em maio deste ano, a agência também autorizou o Nurtec ODT, da Pfizer, cujo princípio ativo é o rimegepanto.

Assim como o atogepanto, o rimegepanto atua sobre a via do CGRP, buscando interferir diretamente em mecanismos relacionados às crises de enxaqueca.

A enxaqueca é uma doença neurológica caracterizada por crises recorrentes de dor de cabeça de intensidade moderada a grave. Os episódios podem ser acompanhados de náuseas, vômitos e sensibilidade à luz e ao som, e costumam durar de quatro a 72 horas.

A doença pode afetar atividades profissionais, estudos, relações familiares e a qualidade de vida dos pacientes.

Por isso, especialistas destacam que a enxaqueca não deve ser tratada apenas como uma dor de cabeça comum, já que se trata de uma condição neurológica que pode ter impacto significativo na rotina.



Com informações da fonte
https://mancheterio.com.br/anvisa-aprova-novo-medicamento-oral-para-prevencao-de-enxaqueca/

Compartilhe este artigo
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *