O adolescente apontado como responsável pela morte da pequena Ayla Nunes Alves, de apenas 1 ano e 3 meses, confessou o crime na tarde desta sexta-feira (20) e foi apreendido, segundo informou o delegado Jan Mertens, responsável pelo caso na Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo (DHNSG).
De acordo com a polícia, o crime ocorreu dentro de um conjunto habitacional do programa Minha Casa, Minha Vida, localizado no distrito de Itaipuaçu, em Maricá, na Região Metropolitana do Rio. A investigação preliminar aponta que o suspeito, de 13 anos, confessou ter abusado sexualmente e asfixiado a recém-nascida até a morte. Ayla foi encontrada já sem vida no imóvel e levada para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Inoã.
“Não é um caso isolado. Não posso entrar em detalhes, mas houve outras crianças que foram abusadas por ele. Já conversamos com os pais de algumas das crianças, e elas foram encaminhadas ao PRPTC [Posto Regional de Polícia Técnica e Científica] para realizarem exame de corpo delito”, revelou o delegado Jan Mertens.
Pai do adolescente diz que não vai proteger o filho
Antes da confirmação da confissão, Gilmar da Silveira, pai do adolescente, afirmou que não encobriria o filho caso a responsabilidade fosse comprovada.
“Se for meu filho, eu vou cobrar. Uma vida é uma vida”, declarou, visivelmente abalado.
Ele contou que a família também tenta entender o que aconteceu e aguardava o laudo pericial para o esclarecimento completo dos fatos. Segundo Gilmar, o adolescente estava na casa da cuidadora — que não é avó biológica — e havia outras pessoas na residência no momento do ocorrido.
“É uma situação muito séria. Se houver culpa, tem que pagar”, reforçou.
De acordo com declarações de familiares, o acusado enxergava a mulher que cuidava da vítima, uma suposta babá, como uma “avó de consideração”.
Atendimento na UPA e início das investigações
De acordo com a Polícia Militar, agentes do 12º BPM (Niterói) foram acionados para a UPA de Inoã após a entrada de uma criança de um ano já em óbito. Médicos plantonistas relataram indícios de possível morte decorrente de violência, com suspeita de abuso sexual.
Diante da gravidade, o caso foi registrado inicialmente na 82ª DP (Maricá) e, em seguida, encaminhado à Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo, que assumiu as investigações.
Diligências e depoimentos
Nas primeiras horas da manhã, agentes estiveram na residência da família, no distrito de Itaipuaçu, em um conjunto habitacional do programa Minha Casa Minha Vida. Três pessoas foram conduzidas à sede da especializada, no Centro de Niterói, para prestar depoimento.
A mãe da criança, que preferiu não se identificar, informou que Ayla estava há pouco tempo sob os cuidados da babá.
A Delegacia de Homicídios segue realizando diligências para esclarecer todas as circunstâncias do crime. O laudo pericial deve complementar as informações sobre a causa da morte.

