Adanilo, ator manauara de filme premiado em Berlim, avalia ascensão de artistas e conterrâneos indígenas: ‘Há 40 anos, pessoas tinham vergonha de dizer que eram amazônicas’

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Adanilo, ator da novela “Renascer” (TV Globo) e do filme vencedor do Urso de Prata do Festival de Berlim, aposta futura para o Oscar, tornou-se um dos maiores expoentes da nova geração que levam a cultura indígena amazônida ao país e além. Ele está no elenco de “O último azul”, estreia da última quinta-feira (28) dos cinemas brasileiros e que, em setembro, será exibido no Festival Internacional de Cinema de Toronto. Há ainda a possibilidade de o filme de Gabriel Mascaro tentar vaga como representante brasileiro a uma indicação ao Oscar de melhor filme internacional, em 2026. Convidado do evento Glocal Experience, em Manaus (AM), Adanilo comentou sobre a boa fase de artistas indígenas e de conterrâneos na cena artística brasileira.
— Agora que a gente voltou a ser o “hype”, todo mundo quer ser amazônico. Creio que a gente está num caminho muito certo. Olho para os artistas amazonenses hoje e vejo todo mundo com uma gana imensa dessa representatividade de que falamos tanto. Ninguém mais quer emular outra realidades, como já foi em outro momento. E sem menosprezar também. Hoje, acho que se as pessoas quiserem fazer um Shakespeare vão trazer para um contexto regional. Não sei se um grande autor internacional emplaca tanto aqui em Manaus se não for com a leitura do que a gente representa — disse, no painel “Da Amazônia para o mundo: arte, cultura e potência global”, realizado no Palácio da Justiça do Amazonas, nesta sexta-feira (29).
Morador do Rio de Janeiro há 15 anos, o ator retorna com frequência à cidade natal e percebe transformações no pensamento dos conterrâneos.
— Há 30, 40 anos, as pessoas tinham vergonha de dizer que eram do Amazonas. Hoje, as pessoas redirecionam o olhar e entendem a importância — avalia.
No evento, ele também lançou o livro “Dramaturgia galerosa”, apropriando-se de um termo local que, como o próprio ator explica, costumava ter sentido pejorativo associado à criminalidade.
— Galeroso, é o equivalente ao cria, ao pivete, ao moleque, sabe? Tentei ressignificar o termo, entendendo como um aglomerado da cultura periférica manauara — diz ele, que cresceu na Compensa, bairro da Zona Oeste de Manaus. — No livro, apresento um pouco do que eu vivi, um pouco das pessoas que eu vi, das ruas, da gíria, da cultura.
Também participaram do painel a embaixadora do Festival Folclórico de Parintins, ex-BBB e musa da escola de samba fluminense Grande Rio Isabelle Nogueira, o jornalista Robério Braga e o artista Jandr Reis. No palco, o jornalista estimulou a plateia a pedir que músicas amazonenses toquem nas rádios da cidade e que ajudem a fortalecer talentos locais.
— Manaus é uma das poucas cidades do mundo em que o símbolo turístico, ícone de reconhecimento, é um teatro. A expressão da arte é o que nos une. E quando os artistas daqui chegam ao sucesso, não podem deixar de ser amazonenses. A diversidade, a “amazoneidade” que (artistas como Isabelle Nogueira e Adanilo) espelham é de todos nós — afirmou Braga.



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